Documentário

Por Tiago Novaes

Sobre o livro

Premiado e editado pela Funarte, Documentário é uma obra múltipla.

Ao mesmo tempo romance e documentário, texto e imagem, relato verídico e elaboração ficcional, a obra narra a história de um escritor que procura uma análise para compreender sua infelicidade, associada a uma inibição literária e a um casamento sem conflitos; conduz este paciente aos seus diários íntimos; e termina com um documentário audiovisual acerca da história familiar deste “paciente-autor”.

Em tempos de redes sociais onde imagens íntimas, confidências e momentos fugazes circulam com a disseminação viral, o romance de Tiago Novaes conduz a experiência a uma radicalização. Não basta confessar os sentimentos; é preciso compreendê-los. Não basta compreendê-los, é preciso remontá-los a uma história familiar e social.

Curiosamente, é uma obra que trata dos limites da linguagem para abordar o sofrimento humano. Nas páginas do livro e nas cenas do documentário, o que se vê é a experiência das palavras nas fronteiras do afeto e da memória. No anseio verborrágico, o que ressalta é o silêncio e o que não pode ser dito.

Documentário, de Tiago Novaes, é a obra mais original do escritor que estreou na literatura em 2004, com o livro de contos Subitamente: agora (7Letras), e em 2007 foi premiado pela Secretaria da Cultura de São Paulo, e resultou finalista do Prêmio São Paulo de Literatura com o romance policial Estado Vegetativo (Callis).

O que temos aqui é um autor que associa uma extraordinária capacidade de contar uma desafiadora história a uma vasta cultura e a um soberbo domínio da palavra.

– Moacyr Scliar, sobre Estado Vegetativo

É um livro muito bem escrito. E pode ser que vire filme.

– Nina Horta, sobre Estado Vegetativo

Tiago Novaes possui indiscutível potencialidade literária.

– Luiz Alfredo Garcia-Roza

Romance notável.

– Manuel da Costa Pinto, sobre Estado Vegetativo

As narrativas de Tiago Novaes, ficcionista que também é psicanalista – ou, se preferirem, psicanalista que também é ficcionista – sempre misturam os elementos mais misteriosos dessas duas práticas.

As imagens sombrias da poética da melancolia (penso em Kafka, Campos de Carvalho e Lobo Antunes) e os desejos reais e imaginários do consultório do analista são a matéria-prima de seus contos. Neles tudo está sob suspeita, tanto a doença quanto a saúde mental.

– Nelson de Oliveira

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