DO ALFABETO AO GRITO: UM DICIONÁRIO MÍNIMO DA FALA BRASILEIRA
Por Jaques FrickSobre o livro
Este não é um dicionário tradicional mas sim um retrato incômodo da oralidade urbana brasileira contemporânea. Organizado segundo o alfabeto latino, o livro apresenta uma escolha radical: quase todas as letras permanecem vazias. Apenas duas concentram verbetes — palavras que, na prática cotidiana, passaram a substituir grande parte do repertório expressivo da fala informal.
Ao registrar o uso recorrente de vocábulos chulos como marcadores universais do discurso, esta obra se insere no campo da crítica cultural e da sociolinguística aplicada. Não há aqui moralismo nem nostalgia normativa, mas observação direta de um fenômeno real: a redução funcional do vocabulário em ambientes informais de comunicação resultando em menos palavras e mais ruídos.
Este livro é um dicionário diferente e com quase nenhuma palavra. Duas entradas relevantes, para ser mais preciso e vinte e quatro letras em silêncio.
“Do Alfabeto ao Grito” não cataloga a língua portuguesa — expõe seu uso empobrecido. Ao fazer isso, provoca o leitor a perceber que o excesso de palavrões não é sinal de liberdade expressiva, mas de abdicação do pensamento articulado. O objetivo deste livro não é ensinar a falar melhor mas sim ensinar a perceber quando deixamos de falar.
A língua portuguesa no Brasil não empobreceu estruturalmente, mas empobreceu no seu uso cotidiano, substituindo elaboração por descarga emocional. O palavrão em si não é o problema propriamente dito, mas se torna um problema quando ele vira tudo.
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