distâncias do mínimo (Série Lírica)

Por Kleber Bordinhão

Sobre o livro

por que se escreve poesia?

Marcel Proust disse que “a verdadeira vida, a vida por fim esclarecida e descoberta, a única vida, pois, plenamente vivida, é a literatura”. O anseio por significar a experiência, de modo a torná-la mais do que um simples vagar sem sentido pelo tempo, resulta em produções como esta que Kleber Bordinhão nos apresenta agora.

A consciência do tempo como motor da saudade em “dial do tempo”; a poesia de todos os dias traduzida em “agonia pra começar bem o dia”; a lida com a palavra “na palma da mão ou na ponta de um lápis”; “lírios e lótus”, expressiva combinação da delicadeza do lírio com o apelo erótico do lótus; a “água na boca”, anúncio do desejo e do prazer, são distâncias percorridas pela palavra na eterna perseguição de um sentido para os dias.

Esse sentido que sempre escapa, se dissipa, para novamente se instalar por meio de estranhos agenciamentos, dos quais a poesia é, sem dúvida, o mais potente.

“distâncias do mínimo” nos redime da eterna distração de nós mesmos, nos lembra singelamente que, por vezes, é possível fazer o mínimo significar o máximo, mesmo que apenas na fração de tempo que roubamos do medíocre e do repetitivo em nossas vidas.

Poesia com ecos leminskianos, resultado de uma sensibilidade juvenil amadurecida nas leituras do poeta maldito nas ruas de Curitiba, também pelas ruas de Ponta Grossa, palmilhadas por outros e por este poeta, distâncias do mínimo exercitam o que em cada um de nós é imagem e intuição, na percepção ligeira de um momento ou de uma emoção fugidia.

Silvana Oliveira

Universidade Estadual de Ponta Grossa

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