Dignidade humana ecocêntrica: do antropocentrismo moderno à deep ecology contemporânea

Por PAULO H M SOUSA

Sobre o livro

“Destruir ou não destruir, eis a questão”. Se a mítica dúvida de Shakespeare pudesse ser empregada à humanidade contemporânea, certamente passaria pelo dilema da relação entre pessoas e bens, sujeitos e objetos, entre o Antropocentrismo Clássico e a Deep Ecology.

Se antes o progresso humano era conexo à degradação ambiental, como evidencia Michel Serrés, há quem defenda um radicalismo ecológico: “os homens são o vírus do planeta”.

O cinema, a literatura e mesmo a Filosofia e o Direito são distópicos e escancaram um possível mundo em que o amanhã talvez nunca chegue. Mais que necessário, urgente é repensar a relação da humanidade com a natureza, e isso exige reconstruir as bases que alicerçam nossa relação com o mundo.

Uma dimensão diversa à dignidade humana, menos antropocêntrica e mais ecocêntrica, se impõe para que uma nova relação emerja.

Com isso, é possível enxergar a ecologia como uma dimensão da dignidade humana; é possível ver uma faceta diferente da dignidade, a dignidade da vida em geral; é possível adotar um paradigma ecocêntrico.

Possibilidades que se descortinam e que ressignificam as categorias jurídico-filosóficas fundamentais. Assim, forja-se um novo contrato, o contrato natural, em que a humanidade e a natureza atuam de maneira simbiótica e não parasitária.

A dimensão ecológica da dignidade humana revisita essa mudança que vem ocorrendo paulatinamente na sociedade contemporânea.

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