DIÁRIO DO CANGAÇO:: Das origens da cidade de Villa Bella a ascensão de Lampião (1838–1930) Volume I

Por Paulo César Gomes Gomes dos Santos

Sobre o livro

Há exatos cem anos as primeiras matérias e reportagens citando o nome de Virgulino Ferreira da Silva, já com a alcunha de Lampião eram publicadas em diferentes jornais do país.

Aos resgatarmos alguns desses conteúdos esperamos contribuir para enaltecimento do jornalismo como uma das mais importantes fontes de pesquisa para os estudados da História do Cangaço, do Nordeste e do Brasil.

Em faça do contexto histórico em que diferentes textos jornalistas foram escritos, a publicação de trabalho de pesquisa foi dividida em três volumes.

O primeiro volume de obra literária (DIÁRIO DO CANGAÇO: A ASCENSÃO DE LAMPIÃO (1922-1930) aborda as publicações que vão até a fase em que Virgulino Ferreira da Silva deixa o estado de Pernambuco e se escondeuno entorno das margens do Rio São Francisco, entre os estados de Alagoas, Bahia e Sergipe.

Escrever sobre o Cangaço e consequentes sobre Lampião é inicialmente um exercício de compressão sobre a História do Brasil e todas as núancias, desde a colonização há até os dias atuais, tendo o Sertão Nordestino com núcleo central.

Ao mesmo tempo, é preciso que se intenda a necessidade de se falar sobre o Cangaço e o Lampião sobre a perspectiva do olhar sertanejo em relação ao país.

Nessa análise é preciso se a ter a História e todos os demais contextos de estudos científicos, como os sociológicos, políticos, econômicos, culturais, religiosos e geográficos.

Diante de um tema tão sensível e complexo é preciso que a História seja respeitada, ainda que o povo nordestino carregue sobre os seus ombros e suas almas as dores que atravessaram gerações, mas também trazem no semblante o amor pelo torrão natal e as suas tradições.

Sendo assim, as questões postas aqui neste trabalho literário precisão serem vistas com serenidade, para não transformar “os fatos”, “os registros”, “os vestígios”, “os indícios” em símbolos “folclorizados”, que acabem retirando os seus verdadeiros significados, as suas contradições e as suas consequências “em seu tempo” e com “o passar do tempo”.

A trilogia DIÁRIO DO CANGAÇO buscará apresentar através de um levante realizado através de quatro jornais Pernambucos (Diário de Pernambucano, Jornal Pequeno, Diário da Tarde e Jornal de Recife), do Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) e da Revista O Cruzeiro (Rio de Janeiro), como Lampião já em vida era amado e ódio.

Como ele já era um personagem que fazia parte do cotidiano do Brasil através do noticiário, que por muitas vezes repercutia apenas a visão das autoridades ou até mesmo dos boatos que se espalhavam por quatro cantos da caatinga.

Virgolino Ferreira da Silva morreu e reviveu por diversas vezes desde entrou no Cangaço, mas Lampião do ponto de vista dos fatos históricos parece não ter morrido.

É curioso como Lampião tornou-se através o maior bandido da história do Brasil, mesmo em uma época em que não se tinha televisão ou redes sociais. Como alguém pode ter cometido tantos crimes em quase duas décadas e nunca tenha sido preso?

Um homem que não carro ou trem, que comandava um grupo de bandoleiro fortemente armado, mas que percorreu milhares de quilômetros sem que as autoridades possam tê-lo colocado atras das grades. Como isso foi possível?

Algumas dessas simples podem ser respondidas adentramos em estudo sobre o processo de colonização e de como as armas, os conceitos de violência e o uso do poder para estabelecer uma relação do interior do país.

O cangaço é fruto do genocídio dos colonizadores praticados contra indígenas e escravos africanos.

Foram os colonizadores e depois os seus descendentes, muitos dos quais se tornaram “coronéis” durante a velha república, que propagaram o uso de armas e os assassinatos como uma forma de intimidação e dominação.

O Cangaço não foi uma opção de muitos sertanejos, foi uma imposição de um sistema social que reinava na época.

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