Desculpa, mamãe

Por André Kondo

Sobre o livro

“Vera se foi. No momento em que a terra cobriu irremediavelmente o belo rosto, ainda sem rugas, um menino suplicou: Desculpa. Um pedido de desculpas não chega a ser uma súplica se pronunciado apenas por educação ou mera formalidade.

E aqui não convém a sintaxe querer colocar um pronome, nem a semântica estabelecer a diferença ou a semelhança entre um pedido de desculpas e uma súplica por perdão. O que se deve considerar é que aquele ‘desculpa’ do menino expressava uma dor que nenhuma gramática poderia diagnosticar.

Muito menos, remediar. Aquele ‘desculpa’ era mais do que um desejo de retirar a culpa, ultrapassava até o mais desesperado rogo de perdão. Uma criança de apenas seis anos não poderia ter feito nada de tão hediondo, que justificasse aquele doloroso pedido de clemência. Poderia?”

O conto “Desculpa, mamãe” recebeu Menção Honrosa no XXXIII Prêmio Felippe D’Oliveira.

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