Sobre o livro
Por mais que muitos autores como Décio Pignatari e Wilson Martins vejam nas posições de Leminski um superlativo narcísico, W. Teca nota que, pelo contrário, esse engrandecimento é munido de uma vontade de diferença que pretende demarcar maneiras outras de percepção estética.
Não se trata meramente de perverter e adquirir novos sentidos, mas certamente de obter um novo mundo, assim como cartesiano em terras da América. Em meio ao riso, há uma tristeza que leva à busca pelo fim da seriedade.
O carnaval se põe para além do desvio, sim como resistência ao canônico, o habitual, embotado, propriamente triste porque sempre se faz repetitivo. Essa preocupação na dissertação é muito presente ao apontar questões como o etos, a cosmologia e a dialética entre Apolo e Dioniso.
É mais do que fabricar arte: é fabricar um mundo completamente outro.
Nietzsche certamente não aparece enquanto filósofo arbitrário ao longo do processo de exegese: Leminski demanda uma vontade de mundo que se reflete na configuração de um sentido total e particular de tal forma que, assim como o Nascimento da Tragédia, é necessário a singularidade e o caos da universalidade para justificar a premissa de um pastiche perverso, ou ainda do carnaval que abre margem para o riso e as festividades (tipicamente dionisíacos, diga-se de passagem).
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