Sobre o livro
E se o esquecimento não for uma doença, mas uma boia de salvação?
Em uma varanda no Rio de Janeiro, um homem desperta sem nome, sem ontem e sem amanhã. Ele não reconhece o rosto marcado no espelho, nem as mãos calejadas de escrever oitenta livros que não se lembra de ter publicado. Ele se autodenomina apenas “O Náufrago”.
Para sobreviver ao vazio assustador e silencioso de sua própria mente, ele se agarra a um caderno em branco. A escrita deixa de ser arte e torna-se uma “tecnologia de cuidado”, uma sutura desesperada para inventar o hoje e estancar a sangria da falta de memória.
Mas o passado é um credor implacável. Enquanto o Náufrago tenta flutuar na leveza do presente, a gravidade de Caio Silens — o “Fantasma” que habitava aquele corpo — ameaça puxá-lo para o fundo. Escondida em uma velha mala de couro, a história de um viúvo atormentado, um pai falho e um poeta em colapso espera para ser reaberta.
Vigiado pelo amor devoto de uma filha que carrega o peso de suas dívidas emocionais e visitado por filhos que buscam um pai que já não existe, o Náufrago precisa fazer uma escolha impossível. Aceitar o “resgate” e retomar a dor de ser quem foi, ou entregar-se ao fluxo final e definitivo do esquecimento?
Derivas é uma autoficção brutal e delicada sobre o que resta de nós quando a identidade se dissolve. Um relato íntimo sobre a memória como fardo e a amnésia como a última, e talvez única, dádiva.
Leia e testemunhe a dissolução.
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