Sobre o livro
De quanta terra precisa um homem? E outras histórias reúne alguns dos contos morais mais conhecidos de Liev Tolstói, escritos na fase madura de sua vida, quando o autor de Guerra e Paz e Anna Karenina voltou-se para questões espirituais, éticas e filosóficas. Nessas narrativas breves e acessíveis, Tolstói transforma situações cotidianas em parábolas sobre a condição humana.
As histórias desta coletânea abordam temas universais — ambição, compaixão, fé, humildade e o sentido da vida — por meio de personagens simples: camponeses, artesãos, viajantes e governantes. Em linguagem direta e envolvente, o autor conduz o leitor a refletir sobre perguntas essenciais que atravessam todas as épocas.
No conto “Do que os homens vivem”, escrito em 1885, acompanhamos Simão, um humilde sapateiro que, ao encontrar um desconhecido à beira da estrada, descobre uma verdade fundamental sobre aquilo que sustenta a vida humana. A narrativa revela que não é a riqueza nem a força que mantém os homens, mas o amor que circula entre eles.
Em “Três perguntas”, de 1903, um rei busca descobrir quais são as decisões mais importantes da vida: qual é o momento certo para agir, quem é a pessoa mais importante e qual é o dever essencial do ser humano. A resposta surge não em teorias abstratas, mas na prática da atenção, da bondade e da ação justa.
Já “De quanta terra precisa um homem?” – o conto mais célebre desta coletânea, elaborado em 1886 – narra a história do camponês Pahom, convencido de que seria plenamente feliz se possuísse mais terra. Movido pela ambição, ele passa a buscar cada vez mais propriedades, até descobrir, de forma dramática, o verdadeiro limite do desejo humano.
A coletânea inclui ainda “A Cafeteria de Surat”, história criada em 1904 e ambientada na Índia, na qual viajantes e pensadores discutem fé, religião e a busca por verdades universais que ultrapassam as diferenças culturais.
Juntos, esses contos formam um retrato da visão moral de Tolstói. Escritas com simplicidade e profundidade, as narrativas conduzem a uma reflexão sobre o que realmente importa na vida: a justiça, a compaixão e a capacidade de reconhecer a dignidade de cada pessoa.
Em suas parábolas de caráter perene e universal, Tolstói demonstra que as maiores questões filosóficas podem ser exploradas por meio de narrativas curtas, claras e humanas.
Nas páginas desta obra estão abertas as portas para a sabedoria de um dos maiores escritores da literatura mundial — um autor que, ao falar de camponeses, reis e viajantes, fala, na verdade, de todos nós.
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