Sobre o livro
(…)
Todo o poema se ancora na “mordida”.
E o que é a mordida? O amor, a vida e “a morte também morde”.
Mordida que “fisga”, “estrila”, “finca” – fere, mesmo se “brinca”.
A vida “fisga”, “estrila”, “finca” – fere.
A morte “fisga”, “estrila”, “finca” – fere.
(…)
O Fausto de Goethe mais que um pacto com o demônio para obter saber, o fez para tolerar a vida, que definia como infernal. A principal ganância de Fausto chamava-se Gretchen, ou seja, Fausto queria distrair-se da vida – diga-se, da dor de viver – amar.
Tanto assim que, no fim do poema do alemão, Fausto acaba no céu, com Gretchen. O demônio, Mefistófeles, perdeu mais duas almas alemãs para a Mãe de Deus, Maria, a virgem, que se compadeceu também do brasileiro farsesco João Grilo.
(…)Eis que o amor é a mordida das mordidas:
O ente objeto do amor: Gretchen foi amor de Fausto; Beatriz, de Dante; a troiana Helena desencadeou uma guerra… Dulcinéia, alucinou Dom Quixote…
Amor é cuidado, zelo, dedicação – e, além das dicionarizadas, amor cabe nas definições mais interessantes, aquelas dadas por cada um: às vezes amor cabe num apelido, como num mimo ou num cafuné. Amor é também o que provoca, que pode ser o contrário do que signifique – ódio, é seu oposto. Amor também enlouquece.
(…)
E o que mais nos morde? A vaidade, a ganância, a soberba, a inveja, a desfaçatez, o rancor…o poder, o autoritarismo…
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