DAS COISAS SEM IMPORTÂNCIA SOBRE AQUELES DIAS QUE SERÃO ESQUECIDOS (POESIAS DE MARGENS)

Por Jairo Carioca de Oliveira

Sobre o livro

Há um poder na poesia ainda subestimado na atualidade. Ela faz aproximações impensáveis e impossíveis, sendo capaz de levar amor onde o ódio transita com facilidade, a poesia é como um pouco de luz dentro da mais densa escuridão, ela se faz notar e se transforma em objeto de resistência.

Os poetas incomodam porque são como crianças brincando com a imaginação, e brincar não é coisa de adulto, gente séria não olha para uma vassoura e vê um cavalo, as crianças fazem isso.

Os poetas não são pessoas sérias, eles enxergam beleza no óbvio, como escreveu o poeta Manoel de Barros: “Poesia é a loucura das palavras”. Então escrevo poemas, ou será a poesia que me escreve?

Escrevo poesia sobre amores esquecidos, músicas que não tocam mais, livros empoeirados na estante, garrafas de vinhos lacradas com suas rolhas, rascunhos perdidos em gavetas fechadas.

Escrevo sobre chegadas e partidas, feridas abertas, amores abortados, lingeries rasgadas, copos solitários de whisky, tudo se torna poesia. Porque poesia? Essa filha bastarda da literatura? Esta subversão, na língua, da ordem cristalizada – o fracasso do inconsciente, como definiu Lacan.

Qual o poder implícito nela? Mesmo poeta, não sei responder, talvez por isso o mestre francês – Jacques Lacan – a tenha comparado com a Psicanálise, ao afirmar que esta não passava de uma fraude, como a própria poesia.

E se a poesia não tem o poder de salvar o mundo de sua própria estupidez, ao menos salva o instante. E isso já é o bastante.

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