Sobre o livro
Cartas escritas em 2005, que nunca foram entregues ao destinatário. Ficaram em posse da enfermeira Miriam que, anos após o fechamento do hospício, as levou para casa.
O destino desses escritos seria a lata de lixo. Eu mesmo fui o encarregado de jogá-las lá. Foi aí que pensei: – E se eu der uma lida?
As cartas não eram para mim, mas também, ninguém mais iria lê-las.
Os locais dessa história não serão revelados, os nomes serão mudados, exceto o meu.
A paciente Clarice (nome fictício), escreve cartas para o médico responsável pelo hospício onde ela se encontra internada, desde 1990. Escritos 15 anos após a internação, Clarice “recobrou a sanidade mental” e, desejando liberdade, pediu para a enfermeira Miriam (nome fictício) lápis e papéis, para argumentar ao médico que foi vítima na internação e que estaria bem o suficiente para receber alta.
Como primeiro leitor, senti a tensão que ela viveu por dias seguidos, a prisão social que lhe fez entrar em colapso e um ritual que, segundo ela, emanou entidades reais.
Esse livro trará a você a experiência de abrir cada carta, como se fosse também o primeiro leitor. Imergindo nos momentos finais de sanidade mental dessa paciente e retornando quando ela se restabeleceu.
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