Da lama ao caos: que som é esse que vem de Pernambuco? (Coleção Discos da Música Brasileira Livro 1)
Por José TelesSobre o livro
No aniversário de 25 anos do álbum, o jornalista e crítico José Teles reconstrói a trajetória do disco que transformou a música brasileira ao fincar sua “parabólica” de samplers e guitarras pesadas nos ritmos populares de Pernambuco: Da lama ao caos, de Chico Science & Nação Zumbi, lançado em abril de 1994.
Colunista de música do Jornal do Commercio, de Recife, desde 1987, Teles foi testemunha privilegiada do nascimento do álbum e da cena manguebeat, encabeçada por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.
No livro, ele entrevista músicos, produtores, empresários, diretores de gravadora, designers, fotógrafos e jornalistas para recontar a história e os bastidores do disco que colocou Recife – a “quarta pior cidade do mundo”, de acordo com relatório de 1991, de um órgão ligado à ONU – no centro de toda a cena cultural dos anos 1990.
O livro é o primeiro título da coleção Discos da Música Brasileira. Como escreve Teles: “A contemporaneidade começava a botar as patolas de fora, surgida de onde menos se esperava. Até então, os movimentos musicais no Recife saíram da classe média ou das elites da cidade.
Da periferia, a exceção, que não chegou a ser movimento, foi o frevo, surgido do ‘poviléu’ (como se dizia no início do século 20).
O movimento que surgiu para “contemporaneizar” a música pernambucana veio metaforizado de mangue, os homens-caranguejos, que juntaram o arsenal de ideias na Rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, em edifícios localizados num trecho que pode ser visto como um emblema da estagnação da cidade”.
E continua mais à frente: “Não se imaginava que aquela turma, que se autodenominava ‘caranguejos com cérebro’, que se apresentava para plateias reduzidas e trocava ideias em barzinhos descolados, fosse extrapolar limites, divisas, fronteiras, que revigorasse a cultura pernambucana, influenciasse a música brasileira, e tivesse repercussão internacional.”.
Ao autor, declara no livro o guitarrista do grupo, Lúcio Maia: “Eu acho Da lama ao caos melhor que Afrociberdelia [segundo álbum da banda]… Chico, eu, Jorge, Gilmar, todo mundo teve o tempo de uma vida inteira para pensar nele”.
A coleção Discos da Música Brasileira, publicada em português e em inglês, tem organização do crítico musical Lauro Lisboa Garcia.
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