Da Casa ao Vulcão. Trabalhos, 1988–2016

Por Pedro Maurício Borges

Sobre o livro

A atenção em relação à inserção territorial e urbana, a riqueza no tratamento das relações interior-exterior e a qualidade espacial, são aspectos que caracterizam a prática arquitectónica de Pedro Maurício Borges (Prémio Secil de Arquitetura 2002).

Estes estão bem presentes na conferência que aqui se apresenta, em que palavras e imagens, descrições, explicações, fotografias, desenhos e excertos vídeo (na app ARYMAGO) se entrelaçam intimamente, explorando os anacronismos do território e da arquitectura.

Assim, a paisagem arcaica de São Miguel é afinal uma construção moderna; num recinto expositivo também nos Açores retomam-se muros de pedra preexistente – em atitude inegavelmente contextualizante – ao mesmo tempo que se rumina Souto de Moura, Richard Long e estes se hibridizam com Frank Gehry: uma capela na Gândara simultaneamente evoca a casa arquetípica, apresenta-se como volume abstracto e retoma solução de James Turrell; um resort é reminiscente de formas vulcânicas, do Panteão, de Boullée ou porventura ainda de Oscar Niemeyer.

As formas do território, materiais locais, referências da arquitetura popular, eruditas, contemporâneas, antigas, artísticas e com efeito muitas outras, articulam-se com leveza em obras simples e bem integradas nos contextos de intervenção, mas que, observadas com atenção, surpreendem pela sofisticação das relações que propõem entre elementos locais, exógenos, arcaicos, antigos e contemporâneos.

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