Sobre o livro
O livro A Cultura Popular: Seus Mestres e Mestras em São Cristóvão, SE, produzido através de pesquisas e entrevistas, traz um panorama informativo sobre os Mestres e as Mestras da cultura popular sancristovense.
O layout do livro, desenvolvido por Cauê Mathias, apresenta características estéticas relacionadas à visualidade das imagens que essas manifestações culturais possuem, em um formato dinâmico com fotografias, ilustrações e textos informativos que abordam a trajetória dos Mestres e Mestras — expondo um pouco de suas culturas artísticas, modos de viver, fazeres e saberes.
Pretende-se, com o livro, eternizá-los e torná-lo um relevante instrumento de registro e circulação de conhecimento sobre a existência dessas personalidades, tanto para o público estudantil e professores da rede de ensino de São Cristóvão/SE, quanto para turistas, a comunidade em geral e todos os que buscam conhecimento.
O lançamento do livro de Gaspeu Fontes, Cultura Popular: Mestres e Mestras em São Cristóvão, SE, ocorreu no dia 11 de agosto, às 17h, na Academia Sergipana de Letras, em Aracaju, onde aconteceu um xirê — roda ou dança, um ritual do candomblé dedicado à evocação dos orixás através de cantigas, danças e toques de atabaques — realizado pelos filhos do Mestre Zé de Obacossor.
O livro homenageia os seguintes Mestres e Mestras:
Mestre Rindu (foto à frente com seu grupo, A Chegança; caricatura, p. 42). Nasceu em setembro de 1940 e, desde muito cedo, aprendeu a dançar folclore e a pescar para sua sobrevivência. Destacou-se à frente das Caceteiras.
Vestido de Chegança, teve destaque especial no Seminário Nacional de Culturas Populares, ocorrido em Brasília, em 2005. Enquanto Mestre das Caceteiras, recebeu vários prêmios e troféus (foto tocando zabumba nas ruas de São Cristóvão, p. 43). Faleceu em agosto de 2016.
Mestre Zé de Obacossor (foto p. 61), o Babalorixá Odé Bamirê, conhecido como Zé de D’Obacossor, nasceu em abril de 1929.
Mantinha um terreiro no Conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão/SE, onde eram realizadas verdadeiras festas aos orixás — uma demonstração de fé dentro do sincretismo religioso. Além de muito querido, era também venerado.
Tinha uma alma generosa, era farto em tudo o que oferecia e ajudava os menos favorecidos. Atuou com sucesso no Rio de Janeiro, onde morou por 31 anos e atendeu muitas personalidades famosas, entre políticos, artistas e o público em geral.
Além de homem de fé, o Babalorixá era um grande cantor do nagô e deixou um disco, O Canto do Rei, com diversas músicas populares que resgatam a linguagem afro-religiosa — numa emoção sem par, sendo ele mesmo o cantor e exaltando as entidades. Hinos únicos, muitos só sabidos e cantados por ele, num retrato de fé. (Colocar uma música com a voz dele).
As Ialorixás em São Cristóvão/SE — colocar as fotos (págs. 50 a 59) com o texto e áudio de música do candomblé.
Mestre Jorge do Estandarte (fotos págs. 26 e 27). Nasceu em fevereiro de 1935. Aprendeu folclore na convivência com a família (pai, tio e avô), que eram brincantes do Reisado, das Taieiras, da Chegança e do Batalhão de São João.
Aos dez anos, começou a participar das manifestações, confeccionando estandartes para os grupos da cidade. Esses trabalhos manuais se tornaram tema da exposição Mestre Jorge: Feito de Alegria, realizada no Museu de Arte Sacra em setembro de 2018 (caricatura p. 12 e/ou 27).
Mestre Satu (foto págs. 7 e 44). Música: Reisado do Satu — Saturnino Prudêncio, Mestre Satu. Nasceu em fevereiro de 1940. Veio de uma família de brincantes e, desde cedo, mostrou interesse pela arte. Aprendeu a brincar Reisado com seu pai.
O Reisado é um folguedo que homenageia a Festa de Reis, em 6 de janeiro. Sua religiosidade e seus versos reverenciam o Menino Jesus, Maria e José. O Reisado é uma marca de Sergipe, encontrado na maioria dos municípios sergipanos.
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