Cult #311 – Sofrimento psíquico no neoliberalismo brasileiro

Por Vários Autores

Sobre o livro

Mais do que um simples estágio no desenvolvimento do capitalismo, o neoliberalismo impõe debates que atravessam seu hibridismo e sua conceituação polissêmica. Pensar, portanto, uma era neoliberal é reconhecer que o emprego do termo acompanha fenômenos que escapam da esfera pública e econômica, e adentram a subjetividade e as dinâmicas de saber e poder.

Crise psíquica, pós-neoliberalismo, dispositivos coloniais, aquilombamento como alternativa à lógica opressora – examinar o neoliberalismo sob múltiplas possibilidades é o que este dossiê propõe. Coordenados por Fábio Luís Franco, os artigos investigam, sem esgotar, ângulos de apreensão do neoliberalismo em áreas como a economia e a psicanálise.

Haveríamos de falar em um pós-neoliberalismo? Que laços unem o fundamento neoliberal ao aparato colonial? Como situar uma crise psíquica – e pensar suas saídas – na lógica dos “empreendedores de si”? Essas são algumas das questões debatidas no dossiê “Sofrimento psíquico no neoliberalismo brasileiro”.

E mais: em 1917, a palavra “surrealismo” apareceu pela primeira vez na literatura, empregada por Apollinaire para descrever seu drama Les mamelles de Tirésias [As tetas de Tirésias]. Para o poeta, “quando o homem quis imitar a caminhada, ele criou a roda, que não se parece com uma perna. Fez, assim, o surrealismo sem perceber”.

Sete anos depois, o termo foi empregado por André Breton no seu Manifesto Surrealista, em que se apoiava nas descobertas freudianas do inconsciente em favor de uma arte onírica, aberta aos territórios ainda incógnitos da mente humana. O projeto, assim, também comportava uma visada revolucionária, pois pretendia derruir a forma da modernidade para mostrar sua baixeza, seu informe recalcado pelo projeto civilizador.

Passados cem anos do primeiro Manifesto Surrealista, o especial “Surrealismo, 100 anos” convida intelectuais de diferentes áreas para pensar as constelações e nos influxos do surrealismo para além de sua imediata esfera de vanguarda europeia da década de 1920.

Completam esta edição uma entrevista com o jurista Samuel Mac Dowell, advogado da família Herzog no primeiro processo contra o governo militar, e o poema “O que te escreveria enquanto quebra meus dentes”, de Febraro de Oliveira, na seção Oficina Literária.

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