Sobre o livro
Ao rebater os discursos médico-clínicos que afirmam uma suposta “epidemia trans”, especialistas ressaltam o papel da cis-heteronormatividade na definição de expectativas familiares e sociais e na formação de modelos canônicos de infância, sexualidade e gênero.
Afinal, o que o pensamento contemporâneo declara ao acusar uma “epidemia” é que ele não suporta ver modificações corporais que exponham contingências históricas, políticas e culturais responsáveis por definir o contorno dado à noção de corpo.
Organizado por Sofia Favero e Pedro Ambra, com textos de João Gabriel Maracci e Emilia Braz, Rafael Cavalheiro e Helena Vicente, Beatriz Bagagli e Thayz Athayde, o dossiê O avesso da norma é uma aposta não apenas conceitual e política, mas, igualmente, de alianças contra o medo.
Seja em sua organização, uma vez que cada um dos textos conta com autorias trans e cis de diversos lugares do Brasil, para além do circuito Sul-Sudeste, seja pela interlocução entre saberes clínicos e culturais, e, sobretudo, pelo compromisso em sustentar certo grau de otimismo àquilo que a cultura da hegemonia trata com tamanha hostilidade.
Além do dossiê, a edição conta com uma entrevista com o antropólogo Kabengele Munanga, que relembra sua formação no contexto colonial congolês e discute como a ideologia da mestiçagem dificultou a afirmação de uma identidade negra no Brasil.
E uma matéria sobre a escritora Adalgisa Nery em ocasião da publicação de sua poesia completa.
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