Cruzando a última fronteira: Uma aventura pelo fascinante Alasca
Por Airton OrtizSobre o livro
Países desconhecidos, regiões de selvagem beleza, outros povos, outros usos e costumes, mesmo os exóticos, não me fascinam, não me movem do lugar.
Sair do meu conforto, do meu cotidiano, do meu lugar, do meu banheiro; trocar a companhia de meus amigos e de minha família sempre me causou uma certa opressão no peito. Sou o protótipo do bicho-preguiça. Por isso, livros de viagens e aventuras nunca tiveram lugar na minha biblioteca.
Isso até o dia em que Airton Ortiz me pediu para ler os originais do que viria a ser seu primeiro livro, Aventura no topo da África. Comecei a leitura sem muitas expectativas, durante uma viagem prosaica de quatro horas, deixando que meu filho, sentado ao meu lado, lesse junto.
Quando, depois de uma meia hora de leitura, ele me tomou o volume para ler mais acomodado, fiquei muito aborrecida, pois eu havia encontrado o universo mágico das narrativas de viagens. Airton Ortiz é um narrador muito especial.
O jornalista que ele é capta com perspicácia os aspectos mais bizarros e particulares de povos e terras por onde anda, descrevendo-os de tal forma que nossos sentidos ficam aguçados e seguimos adiante na leitura tão alvoroçados ou tensos ou ansiosos ou destemidos como o viajante.
E quando começamos a cansar da viagem, ele, espertamente, pincela a narrativa com a cor do humor, contando incidentes banais, mas que naquele espaço e tempo se tornam especiais.
Outra particularidade é o cuidado com que ele reconstitui lendas ou verdades dos lugares visitados que, de certa forma, nos contextualizam num passado que não é o nosso. Enfim, Airton Ortiz consegue narrar e descrever de forma tão intensa que, às vezes, eu me pergunto: isto é ficção ou realidade?
Este Cruzando a última fronteira conduz o leitor não a uma “viagem ao fim do mundo”, mas a uma jornada onde é possível ouvir os sons da floresta ou viajar num navio, onde para dormir se arma uma barraca ou se dorme numa cadeira de plástico.
Encontraremos, lá na última fronteira, gente que conhece ou já ouviu falar do Brasil e, como sempre, no futebol brasileiro. Vamos conviver com outros viajantes e suas idiossincrasias.
Vamos perder o fôlego ao nos imaginarmos subindo uma escada, escavada no gelo, com 1.500 degraus, por onde subiam os garimpeiros. Sonharemos, valentemente, com ursos, e nos sentiremos perdidos em meio a lobos, caribus, ptármicas.
Entraremos no “coração selvagem do Alasca” cheio de mistérios e desafios para concluirmos, junto com o narrador, como é bom viver intensamente. E esperar pela próxima aventura.
Nóia Kern
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