Crônicas de banheiro II

Por Katia Hultmann

Sobre o livro

(…)

Estes mesmos estudantes, que se abraçavam na praça central para fazer discursos históricos contra o governo e o presidente, os mesmos queriam combater na guerra em prol de uma pátria que fora desonrada por navios afundados em sua própria costa. E também para mostrar que havia mais coisas na cabeça deles do que falar mal de Getúlio Vargas.

E lá estava o Caparica, em plena praça da Sé, fazendo um belíssimo discurso a favor da democracia e escraxando o presidente. Salientou as qualidades de Jorge Amado, recém-chegado na cidade. Ele, um baixinho louro, metido em um terno azul.

Mas nada ocorreu na praça, ninguém foi preso naquela tarde. E a noite foram comemorar o sucesso das palavras em uma casa de tolerância, e um amigo inspirado discursa às moças para que larguem tal vida e voltem para suas famílias e honrem seus pais. Era jogozo o rapaz.

E policiais entraram. Foi preso, como sendo o rapaz que discursara outrora na praça da Sé. Os estudantes facultando direito o acompanharam, enervados, resolveriam o problema. Foram todos presos.

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