crimes e milagres na Festa da Carpição: a orelha nos arremete o medo e também,terriveis segredos não compartilhados

Por Paulynho Blues

Sobre o livro

Na década de setenta quando me iniciava como 1º tenente na Policia Federal ― fato que me arrependo até hoje ―, lastimei-me ter sido enviado pelo AI-5 como padre infiltrado para um bairro pacato e místico em São Paulo, todavia, fora neste fim de mundo como costumava praguejar, que o destino dera-me outro rumo na vida.

Tudo começou quando na 232 ª Festa da Carpição, em Bonsucesso, um gaúcho tido como inimigo público número um andou por estas bandas. Chamava-se, Jacob. Em sua infância, quando Jacob de Oliveira ouvira seu pai urrar, Redemoinho!

esta palavra soara feito o ranger de um esqueleto morgue aos seus ouvidos, o diabo, tempos depois, soprara-lhe outras. Nunca comemorara aniversários com amigos. Não teve amigos!

A mãe morrera de doença ruim e, o pai jamais o chamara de filho, toda prole ― uma mulher e três homens ―, era tratada como bicho de jaula.

Na única história que ouvira aos nove anos de idade, Jacob estava de cócoras no meio da plantação de batatas, o pai de pé, com as mãos apoiadas na enxada o amedrontava dizendo-lhe que o rodamoinho arrastava para bem longe das vistas, numa imensa árvore escura, toda droga de pirralhos e animais inúteis, e ria Redemoinho!

Jacob, na sua cama feita de palha sobre o piso de terra batida, jurava que tudo que o pai lhe ensinasse guardaria na cabeça.

E talvez, só depois de alguns anos que nascera ― 13 de dezembro de 1948, em Nova Bréscia, uma interiorana cidade gaúcha, ―, é que se concebera a data de seu nascimento espiritual, com a benção do diabo, creio eu.

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