Contos Desta e da Outra Vida

Por Paulo H. C. Gonçalves
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Algo havia de estranho com aquele menino. Ainda no berço ele olhava para o vazio, ria sem razão, tentava pegar o que não existia. Aprendeu a falar com facilidade e com facilidade usava palavras não convencionais para crianças daquela idade. A muito que aprendi que existem gênios neste mundo porque trazem do passado, de outras vidas, vasto cabedal de conhecimento. A evolução não dá saltos, só existem gênios porque eles aprenderam em algum momento, em algum lugar. No começo o pai pensou que o filho inventava as palavras, depois descobriu que algumas delas estavam no dicionário e outras já não eram mais utilizadas. O filho era inteligente, isso ninguém podia negar, mas estava sempre cercado de “amigos imaginários”. Amigos estes que conversavam com ele e lhe ensinavam coisas que mesmo os pais não sabiam. Quando o menino completou 8 anos a mãe procurou um médico e explicou o quanto podia. Depois, enquanto o menino estava distraído com brinquedos, do outro lado da sala, a mãe falou sem rodeios: – Doutor, não sei o que fazer, meu filho não brinca com as outras crianças, passa os dias falando sozinho, rindo e conversando sobre assuntos que não sei explicar… Eu vi na internet uma tal de esquizofrenia… Com um quê de dissociação de personalidade… Não sei… Meu marido pensa que estou maluca porque acho que meu filho está falando com os mortos… Será que devo levá-lo a um padre ou pai de santo… O senhor tem algum remédio para ele?… Ou para mim? Meu Deus, não sei o que fazer, como auxiliar quem amamos quando nos falta conhecimento? O médico sorriu e respondeu: – Existem doenças que não são doenças, mas dons espirituais. Por favor, me responda: Seu filho é um menino feliz? Ele tem pesadelos? Medos? Agressividade? Dificuldades na escola? A mãe pensou um pouco e respondeu: – A professora reclama que ele é distraído, mas é um bom aluno. Um dos melhores, segundo ela. Disse que ele tem ideias inovadoras e parece saber assuntos que estão além da compreensão dos meninos… Ela me elogiou pela educação que ele recebe dentro de casa… Acontece que eu não dou aula para ele e meu marido vive ocupado… Meu filho aprende sozinho, conversando com as paredes… O médico sorriu e depois questionou: – Seu filho sai de casa, brinca na rua, tem amigos? A mãe coçou a cabeça e disse: – Ele não sai muito para a rua, por isso acho que não tem amigos, passa grande parte do tempo desenhando e conversando com ninguém. O médico, pegou de um receituário e escreveu alguns medicamentos, depois entregou o papel para mãe e explicou: – Passei para ele algumas vitaminas, vermífugo e fortificante. Eu aconselho alguns passeios e se possível deve participar de atividades físicas e interagir com crianças da idade dele. No mais não encontrei nada de errado, a saúde está normal e os exames estão dentro do esperado. Repito, seu filho não tem nada, é um menino saudável e feliz. – Doutor, não podemos ignorar um problema simplesmente porque não aparecem nos exames… O que devo fazer em relação aos “amigos imaginários”? – A senhora não deve se preocupar, tudo passará com o tempo, e se não passar, tanto melhor, ele é uma criança da nova era, que vê o que não podemos enxergar. Ele aprende com professores melhores do que aqueles que encontramos no mundo. Certamente o teu filho auxiliará na evolução da humanidade. – Doutor, eu não compreendo. – Disse a mãe aflita. Novamente o médico sorriu e esclareceu: – A doença do teu filho não é doença é mediunidade. Ele tem a percepção maior do que a maioria das pessoas e é capaz de ver o que os outros não conseguem enxergar. Os “amiguinhos imaginários” nada mais são do que espíritos que brincam com ele e o ensinam coisas que ele já está preparado…. Continua

Características do eBook

  • Autor(a): Paulo H. C. Gonçalves
  • Categoria: Fantasia, Horror e Ficção Científica

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