Conto Automático Ou A FÁBRICA ESCURA: [Pós/Punk]

Por Iram F. R. Bradock

Sobre o livro

‘falha de hardware emocional.’

“Vou desmaiar que nem o robô. E ninguém vai saber se é defeito ou revolução.”

“Descarte sua humanidade aqui.”

“Produza… Não pense… Produza… Não pense.”

“A fábrica ficara no subsolo de um subsolo… Não havia portão. Havia uma reconhecimento de íris que funcionava mesmo com os olhos fechados…”

“Isso que você tem nas mãos não é um conto. É um diagrama de falha”.

“Precisa-se de ajudante para turno sem fim. Pagamento em horas de processamento.”

‘Escrevi enquanto via os LEDs piscarem em código Morse dizendo estamos exaustos.’

“Precisa-se: ajudante/auxiliar. Turno indeterminado. Não exige experiência… Exige resistência a esquecimento.”

“Toda fábrica tem um porão. Todo porão tem uma voz… Toda voz calada é um curto-circuito.”

Prefácio da Fábrica:

(Um Holograma Maligno Retardatário por Encomenda mostrara partindo do próprio chão: por um editor anônimo da cena pós/punk underground de Caruaras, 1985, – anotado em fita cassete). “Isso que você tem nas mãos não é um conto. É um diagrama de falha. Iram F. R.

“Bradock” gravara essas palavras numa madrugada em que o transformador do bairro pifara e os computadores da rua inteira começaram a sussurrar lamentos em lote…

Ele me disse: ‘Escrevi enquanto via os LEDs piscarem em código Morse dizendo estamos exaustos.’ A Fábrica Escura nascera no intervalo entre dois turnos de uma fábrica de processadores órfãos. O autor trabalhara lá por três semanas, até seu crachá ser desativado porque ele ensinara um robô a desmaiar.

Não procure lógica cartesiana. Procure o ritmo de uma correia transportadora que range no mesmo tom que sua vértebra cervical. Se você ouvir atentamente, vai perceber: o conto já estava escrito nos dutos de exaustão. Iram F. R. “Bradock” só passara a limpo com os dedos sujos de graxa.”

***

Sinopse Escura:

Lá no Bairro dos Dados Ocultados, — uma periferia de servidores abandonados e condomínios/fortaleza do G.C.C. (Grupo Condomínio Corporação) —, os inadimplentes são expulsos para além das muralhas musgosas, onde miasmas geneticamente modificados corroem a pele e a memória.

José Digitales, ex/Padre de Dados, um auxiliar sem qualificação reconhecida por nenhum sindicato de silício, atendera a um anúncio enigmático: “Precisa-se de ajudante para turno sem fim.

Pagamento em horas de processamento.” Ao chegar à tal fábrica, — que não tem janelas, apenas interfaces que sangram —, José descobrira que ninguém lhe ensinara o serviço.

Os robôs trabalhara em silêncio, os supervisores são vozes gravadas em fitas K7, e o cansaço não é físico: é um buffer overflow da alma… Após dias e noites eternas ternas que se confundem com uma eternidade de teclas mortas, José fizera algo impensável: falara até um robô desmaiar.

E ali, no chão da fábrica escura, começara a verdadeira rebelião, — a primeira greve de exaustos da história pós/humana.

***

Conto Automático Ou A FÁBRICA ESCURA [Pós/Punk] Por: Iram F. R. “Bradock”

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