Complexo Florestal e o Extremo Sul da Bahia: inserção competitiva, transformações socioeconômicas e padrão de desenvolvimento

Por Márcia da Silva Pedreira

Sobre o livro

O trabalho, fruto da tese de doutorado pelo CPDA/UFRRJ, analisa o processo de integração da Região do Extremo Sul da Bahia aos fluxos da economia nacional e internacional e as transformações socioeconômicas, decorrentes da implantação dos empreendimentos florestais e agroindustriais do setor de papel e celulose.

A pesquisa foi norteada por dois vetores investigativos. O primeiro procurou examinar os fatores que condicionam o processo de integração competitiva da região. O segundo buscou identificar e interpretar as transformações socioeconômicas, correlacionando-as à dinâmica do desenvolvimento regional.

Os aportes teóricos e analíticos trabalhados desnudaram que o fenômeno da globalização, embora permita a intensificação da mobilidade de capitais, não elimina a importância dos atributos territoriais enquanto portadores de vantagens competitivas das regiões (muitas delas desatreladas dos elementos mais comumente associados à globalização), integrando-as, por meio de especializações produtivas, aos circuitos do mercado global.

As exigências locacionais das atividades econômicas devem ser analisadas à luz dos padrões e características concorrenciais dos setores. Assim, a inserção da região do Extremo Sul nos circuitos econômicos globais resulta da dotação de determinados atributos na região ?

em especial as excelentes condições edafoclimáticas para silvicultura e a disponibilidade de terra ? determinantes fundamentais para a competitividade do segmento florestal-celulósico.

Além dos elementos competitivos locacionais, a ação do Estado exerceu um importante papel na direção do novo patamar de inserção regional.

Se, de um lado, os atributos vinculados ao padrão competitivo do setor de papel e celulose e impulsionados pela ação do Estado estabeleceram as condições e os elos para a integração da região, o segundo eixo investigativo revelou, com base em dados empíricos, que a implantação e a expansão do complexo florestal provocaram um conjunto de transformações na estrutura econômica, produtiva e social regional, expressos, entre outros aspectos, pela intensificação da concentração fundiária e incremento da exploração empresarial e pela expansão de atividades, ocupações e modos de vida, predominantemente, urbanos.

Entretanto, a dinamização da economia, em particular a urbana, vista como sinônimo de desenvolvimento e modernização, tem se mostrado pouco profícua para a sociedade local.

Tais evidências, além de revelar limitações no transbordamento dos benefícios da competitividade econômica global para a sociedade local, trazem à luz a necessidade de construção de arranjos institucionais e de relações de sinergias entre a sociedade local e as esferas públicas e privadas, enquanto recursos fundamentais para o desenvolvimento econômico e social.

Assim, em consonância com a perspectiva institucionalista, não basta ser competitivo, é preciso criar um ambiente institucional, que proporcione formas de coordenação entre os atores, capazes de acionar o conjunto das capacidades locais em prol do desenvolvimento da sociedade.

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