Sobre o livro
Algumas meninas não têm infância. Têm silêncio… e eu aprendi a viver dentro dele. Cresci entre as décadas de 1970 e 1990, órfã e sem proteção, em uma sociedade que ensinava mulheres a baixar os olhos e aceitar o destino.
Ainda menina, vi minha vida ser decidida por outros — inclusive meu casamento com Alexandre, imposto como dever, não como escolha. Naquela casa onde promessas viraram correntes, descobri que o amor pode ser negado, que a voz pode ser calada e que o medo pode morar ao lado da esperança.
Atrás de portas fechadas, aprendi a sobreviver ao peso das palavras duras, à solidão que ninguém enxerga e às cicatrizes que não aparecem na pele. Lutei contra pensamentos que me sufocavam, contra culpas que nunca foram minhas e contra uma sociedade que dizia que suportar era virtude.
Cada dia foi uma batalha silenciosa entre desistir… ou continuar respirando. Mas dentro de mim existe algo que a crueldade não conseguiu apagar. Uma chama pequena, teimosa, que insiste em me lembrar quem eu poderia ser.
Entre dor, fé e lembranças que machucam, comecei a questionar tudo o que me ensinaram sobre obediência, casamento, amor e identidade — e descobri que resistir também é uma forma de nascer de novo. Esta é a minha história.
Uma história intensa, psicológica e profundamente humana sobre a violência invisível das tradições, o peso imposto às mulheres e as marcas que atravessam gerações. Uma narrativa que faz sentir, que incomoda, que dói — porque carrega a verdade de muitas de nós que vivemos caladas.
Se você já chorou em silêncio, já se sentiu pequeno diante do mundo ou já precisou ser forte cedo demais… talvez você me entenda.
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