Céu de Santo Amaro

Por Roberto Numeriano

Sobre o livro

O escritor Roberto Numeriano destaca aspectos importantes para a cultura literária e artística em geral no seu romance Céu de Santo Amaro.

Fazendo uma metonímia do bairro de Santo Amaro, expande a denominação de 1951, Cemitério do Bom Jesus da Redenção de Santo Amaro das Salinas, indicando o que afirma Pablo Neruda: Saudade é amar um passado que ainda não passou.

Não se trata de amar um passado aleatório, mas um Amar(o) em que se mostra o sepulcro na metaforização que simboliza o que não passou. É a sublimação do desejo na consagração da eternidade, pois o funerário tende ao artístico que remete ao passado não passado.

Eterniza-se esse desejo memorizando-o de modo monumental e artístico. Assim, Numeriano declara: A pedra do túmulo se recobria das primeiras pétalas brancas que se derramavam do ipê como lágrimas vegetais, pois há sempre quem chore pelos mortos.

Nisso, ele sai do meramente transcendente para entrar no ambiente transcendental, cujas forças estão na intensidade literária tratada no que emerge do solo, colonizando o já havido, nunca esquecido e transformado em arte.

O cemitério, o bairro, a cidade e a cidadania nordestina entram numa confluência a partir de personagens que vão até onde não se costuma ir, a não ser quando se é conduzido pela mão de um brasileiro cuja missão é tomar a literatura como fonte de elevação subjetiva e cultural.

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