Célia é quem não viu

Por Ricardo Santos David

Sobre o livro

Segundo Célia, os médicos disseram que a entendiam, mas que ela ainda era muito nova e poderia ter outros filhos mais tarde. Eles ainda a alertaram na época de que a criança poderia vir com alguma deficiência ou talvez nem chegasse a nascer. Eu sou nova, sim, mas já sei o que é melhor para mim.

Posso ter outros filhos depois, mas nunca serão esta mesma que está dentro de mim, disse ela na ocasião. Assim como muitos familiares e amigos, os médicos acabaram respeitando a decisão de Célia. Então, em abril, nasceu Maria Amélia Regiane Amaral, a Méinha.

No início, o apoio da família foi muito importante para os cuidados com o bebê, mas depois Célia já conseguia fazer praticamente tudo sozinha. Quando nasce um filho, nasce uma mãe, então quando minha filha nasceu, a roda gigante não dá tempo para lamentações, ela simplesmente gira.

O cume é temporário, assim como a depressão, psicossomática. A dor e a alegria, nada é definitivo. Sendo assim, aprenda a valorizar os bons momentos e seja solidário com a dor alheia. Lembre-se, a roda está sempre a girar, a lágrima de hoje é o sorriso de amanhã, e vice-versa. Que assim seja.

Uma coisa que reparei agora em meus devaneios é que você sempre foi de me fazer sentir como o infinito, como se eu fosse a pessoa mais importante do universo. Com esse teu jeitinho pra cima de mim, teu sorriso meia-lua, e eu acabei por deixar que você virasse meu satélite natural.

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