Caricriatura

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Nesse momento, surge mais um livro de poesias desse autor inesgotável. O título do livro nos remete para aquela perspectiva intimista que os poemas de Humberto Henriques carregam. Caricriatura. A associação de face e alma. Essa é a imagem primeira que ocorre para a fusão das palavras.

Isso nem chega a ser um neologismo de fato, mas apenas mais uma elaboração sistemática da vigília que ocorre a um escritor cujos títulos estão se tornando a cada dia mais sintéticos.

Os títulos longos, aqueles que aconteceram não faz nem um mês ainda da última publicação, alguns que podem ser nomeados, como Luz de Silêncio em Cordões de Março, Pio de Sanhaço em Abril Amarelo, O Pindura-Saia e as Monções de um Tempo Branco, todos são títulos longos e versejados. Versáteis também.

Agora, Caricriatura traduz essa síntese, a apresentação em uma única expressão a grandeza de mil imagens. A sensação que se tem diante de um volume assim é simples. Mas, diga-se o fato, simples para quem já tem noção de como é o comportamento criativo do poeta.

A sensação, digo, quase certeza, de que esse Caricriatura já deixou o espaço aberto para o surgimento de um novo livro de poesias.

Para não minimizar as minhas apresentações desses 378 volumes, achei que deveria ampliar mais a possibilidade de abranger mais dados e detalhes sobre a relação da obra com o autor. Ou da obra e do autor.

Para fazer esse tipo de alargamento de informações, preciso seria lançar mão da biografia ou de algum dado que o próprio escritor pudesse apresentar ao leitor. Porém, é sabido que alguns escritores são arredios e escorregam como quiabo molhado dentro da bacia de alumínio.

Então, todo cuidado seria pouco diante destas argumentações miúdas. De qualquer maneira, ficar atento seria bom. Então, aproveitei esta maré de aproximação e perguntei qual seria dele o livro predestinado, aquele que ele fazia questão de dizer que seria um grande livro, do tipo obra-prima.

Henriques teve dúvidas e foi bastante sincero ao responder que não saberia dizer. Nestas alturas do campeonato não saberia separar isto. Explicou que há dez anos, diria que seria esse livro Glória e Agonia de Aspicuelta de Campoamor.

Um livro premiado, bem estruturado, volumoso, um assunto extremamente romanesco e de difícil conclusão. Entretanto, isso foi há dez anos e com um tempo assim vazando pelos tubos das ampulhetas todas, as mudanças não deixam de ser enormes.

Então, responder a uma questão assim em dias de hoje, seria mesmo papel impossível de ser cumprido. Por outro lado, quando pensa que sua vida mudou em função dos 9 volumes de A Tragédia Humana, seria preciso reconsiderar.

Para dizer mesmo a verdade, eu mesmo, enquanto produtor dessas opiniões e dos meus contos no passado, alguma pequena novela e projeto para romances, assinando devidamente com o meu nome certo, Honorico de Bulhões, nunca gostei dessa proximidade que tanto afugentou Ruben Fonseca e João Ubaldo Ribeiro por tantos anos de todos os lugares.

Quero imaginar que com Henriques acontece coisa semelhante. Que ele correu durante muito tempo de jornalistas, eu também sei.

Houve uma época que só admitiu ser entrevistado por Luís Crozara, mesmo assim porque Crozara fazia entrevistas muito tresloucadas e isso chegava a quebrar um tanto a monotonia do protocolo elementar do jornalismo.

Porém, isso é mais um pedacinho curto de biografia que um dia poderá ser aproveitado com valor de informação. Sendo assim, volto ao ponto inicial sobre Caricriatura.

Esse livro de poesias carrega a mesma estrutura dos livros anteriores e é como uma continuidade da obra poética completa de Humberto Henriques. Os blocos com poemas numerados e concisos, plenos. Nada se perde e nada falta na conjuntura desses poemas magníficos.

Um estudo profundo da alma humana e das divagações em torno dela. Porém, não é apenas isso que se considera. Aqu

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