Capitalismo Cronofágico e a Reconfiguração do Tempo de Trabalho: Flexibilização e desregulamentação normativa no Brasil
Por Adriana Bitencourt BertolloSobre o livro
Capitalismo cronofágico é a noção aqui trabalhada por Adriana Bitencourt Bertollo, para dar sentido às transformações do mundo do trabalho brasileiro nas últimas décadas.
Oriundo de sua tese, defendida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas, este livro oferece à pessoa que o lê uma valiosa contribuição para entender como a dinâmica do quadro legal e normativo do país impacta no tempo do trabalhador.
Seja o tempo dispendido na atividade laboral, no deslocamento, na espera pela convocação ao trabalho; ou o tempo usufruído no lazer e no descanso. O capitalismo contemporâneo, como contexto de nossas vidas, define a divisão e o (des)balanço entre esses diferentes usos do tempo pelo trabalhador.
O capitalismo cronofágico remete ao resultado das mudanças recentes na legislação trabalhista brasileira: o tempo de vida é devorado pelas exigências de um regime produtivo que, em seus fundamentos, dispensa qualquer consideração sobre o bem-estar humano.
Embora seja cada vez mais sujeito à mercantilização no capitalismo, o trabalho não foi criado para ser uma mercadoria: ele é uma extensão existencial do ser humano, que sucumbe à exaustão e à depressão quando forçado pelos excessos do mercado. (Do Prefácio, por Rodrigo Cantu)
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