Sobre o livro
“Poetizar é uma adornada fuga da realidade”, escrevi certa feita num caderninho de capa azul que tratava a todo custo esconder de todos. Naquela época, com quatorze anos e quase nenhum sono à noite, varava madrugadas escrevendo o que me viesse à mente a fim de expressar o que sentia.
Certamente a poesia permitiu-me enfrentar mais facilmente as dificuldades da adolescência – a paixão não-correspondida, a excessiva timidez, a sensação de ser “carta fora do baralho” – e, também, celebrar momentos de profunda felicidade, como a alegria de ter encontrado a pessoa certa.
Foi nos meus pequenos poemas que encontrei a melhor forma de analisar e julgar meus sentimentos e pensamentos e – por que não? – de registrar meu desenvolvimento como pessoa a partir da datação de cada texto, poema ou frase.
Aos dezessete anos tive a oportunidade e a coragem de, pela primeira vez, mostrar meus escritos a amigos e conhecidos ao participar de um sarau promovido pela escola onde estudava. Como é maravilhosa a sensação de sincera aprovação da plateia!
Porém, contrariamente ao que esperava, após esse evento passei a escrever cada vez menos. Agora, seis anos depois, sou presenteada novamente com a oportunidade de levar a público uma parte de mim – pois o que são os poemas senão fragmentos do que já fui e do que sou?
Arranjei os 22 poemas que compõem este livro em duas categorias: “Romance” e “Reflexões”. Em “Romance”, encontram-se poemas cujo tema central é o amor, suas alegrias e suas dúvidas, não sendo, necessariamente, poemas românticos.
Em “Reflexões”, agrupei poemas com diferentes temáticas, mas todos frutos de reflexões acerca da minha vida e do momento pelo qual estava passando; refletem, portanto, diferentes sentimentos – por vezes até contraditórios. Incluí ainda mais duas categorias para reunir outros materiais.
Em “Notas”, encontram-se curtas ideias que escrevi com o intuito inicial de desenvolver, mas que, depois de refletir, achei melhor manter na forma em que foram registradas. Por fim, nesta edição encontra-se um pequeno conto escrito sem pretensão alguma.
Tomando o lugar de mais um poema, criou a si próprio para denunciar a mim meu comodismo com a vida. De início, não considerei incluí-lo a este livro por destoar dos demais escritos; contudo, considerando ser esse meu único conto, decidi que não havia motivos relevantes para não o adicionar.
Desejo a você uma boa leitura,
B. M. Bardi
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