Sobre o livro
Quando se tem um compêndio desses nas mãos, todo desafio parece fácil de ser enfrentado apenas se mergulha na leitura. Antes de tudo, Caio Júlio César & Rosa é um livro cujo texto poderia ser considerado muito bem humorado.
Os visuais não guardam relação direta com o texto, assim como acontece no visual não figurativo. Da mesma forma, tem-se na pintura clássica estas considerações fartas que podem ser observadas. O autor prepara um texto cheio de novidades.
Porquanto seja um assunto hilário a ser considerado, todo o compêndio vai muito além desses fatos. Os poemas são a concentração absoluta da palavra dentro do arquétipo da filologia. O aproveitamento do texto, sendo o que se considere e esse aprende dessa forma, acaba sendo o máximo possível.
As palavras de concentram em uma área densa. E acabam por sagrar o texto todo como uma reverencia ampla ao fazer poético da mais alta qualidade. O título do livro já traz esse juízo antecipado da curiosidade.
Ocorre que a proposta que vem tangendo o texto, toda ela, se comemora na efetividade da relação imediata de uma faxineira chamada Rosa com a estátua de Caio Julio César, romano, um dos maiores conquistadores que o mundo conheceu.
Rosa, apetrechos nas mãos, o espanador, o escovão, o balde com água suja, o espanador, agita-se em torno da estátua inanimada de Cesar. Sua proposta, como mesmo não poderia deixar de ser, é tratar da limpeza do ambiente, tarefa à qual não se furta.
Porém, é parecido também ser seu dever limpar a peça deixada no lugar. Chega a esfregar a cabeça da estátua. Isso tudo não passa de método comum, fácil demais de ser imaginado por aí, seja em ambiente doméstico, seja em uma instituição qualquer com seus corredores em formatação de museu.
Algo do gênero. Entretanto, um diálogo qualquer se inicia entre a dimensão proposta para a faxineira, de corpo e alma presente em seu labor, com o Imperador dos Imperadores, aquele que foi capaz de ser um substantivo e depois adjetivo para todas as línguas do planeta.
Ser César é o absolutismo em todas as categorias de palavras que supostamente podem ser pronunciadas. Diante desse argumento enfileirado com o absurdo, Rosa parece ouvir certas questões que não conseguem elucubrar muito bem. Acha graça de alguma coisa.
Mas se mantém na atitude de tentar entender que aquilo é uma dimensão extrassensorial ou qualquer coisa chamada pelo autor de “aquém”. Esses pequenos epifenômenos propostos no texto se coadunam com exatidão com os desenhos feitos para a recepção do texto.
Todos os poemas são encaixados no visual de uma maneira ortodoxa. Por isso mesmo, a se dizer de uma maneira sempre pragmática, esses poemas são sempre curtos, aproximados do haikai, portanto exigidos na regra de uma condensação grandiosa.
Voltando ao aspecto ritualístico do texto que é colocado entre cada fragmento do livro, a faxineira Rosa se vê num pequeno dilema quando percebe que não faz ideia de quem seria aquela estátua, aquele busto. Pela sua cabeça nunca passou que houvesse um Julio César e suas legiões.
A capacidade de colher informações da faxina é condizente com a sua liberdade existencial. Apenas isso. Isso não faz discriminação, mas somente aponta uma realidade e um ângulo o que se vive. Alhures se vive. Aqui e vive.
De repente, ela parece acordar para uma realidade que tem alguma coisa a ver com o seu mundo. A estátua reitera a imagem, a semelhança, com um certo Ataliba dos Santos, um feirante do bairro Bela Vista.
Diante disso, havendo transformado a sua dúvida nessa possibilidade, parece que a faxineira se dá por satisfeita e sem nada que a distinga para algum tipo de contrariedade. Mas isso é apenas um aspecto do livro que se tem nas mãos. Aqui, a poesia vai muito além disso.
Essa é que é a verdade dos fatos.
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