Bruxaria E O Homicídio Judicial

Por Adeilson Nogueira

Sobre o livro

“Não deixem viver a feiticeira”. (Êxodo 22:18) Entre os cristãos, no seio de uma cultura milenar, o homicídio judicial torna-se instituição permanente, centenas de milhares de inocentes, após apurada tortura do corpo e inomináveis sofrimentos mentais, são executados da maneira mais cruel.

Esses fatos são tão monstruosos que todas as outras aberrações da raça humana são pequenas em comparação. Em inúmeros tribunais civis e nas temidas cortes da Inquisição, a acusação era sinônimo de condenação, e a condenação uma sentença de morte.

Flageladas e mutiladas pelos torturadores, a carne dilacerada e os ossos quebrados, as infelizes vítimas confessavam coisas que hoje parecem uma mistura absurda de acusações sérias e tolas: encantar o gado para ele voar pelos ares, assassinar bebês, beijar o traseiro do demônio.

As que tivessem sorte seriam decapitadas ou mortas de maneira relativamente mais humana antes que seus corpos fossem reduzidos a cinzas em fornalhas.

Mas as mais azaradas eram queimadas vivas em fogueiras de madeira verde para que a agonia se prolongasse, caso cometessem transgressões que despertassem irritação ainda maior, como, por exemplo, renegar a própria confissão.

Von Spee nasceu em 1591, escreveu seu livro em 1627, quando era professor em Würzburg.

Ele tinha sido confessor de bruxas condenadas, e foi levado a protestar contra a irracionalidade do processo: “Trate os chefes da Igreja”, disse ele; “trate os juízes, ou me trate, como você trata essas pessoas infelizes. Submeta-nos às mesmas torturas e você descobrirá magos em todos nós.”

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