botos caçam em grupo

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Um grande livro surge novamente. Trata-se de mais um impactante trabalho de Humberto Henriques. O nascimento de um livro como esse não seria distinto de toda a árvore genealógica que medra entre a obra já escrita desse autor prodigioso e sua criação seguinte.

Esse livro, Os Botos Caçam em Grupo é uma mistura de visuais esplêndidos com o tipo de prosa que Henriques acabou por criar durante a elaboração de sua Arte.

Não é o miniconto em si, porém, um estudo mais pormenorizado envolve esse tipo de estilo, de tal sorte que o assunto em si sempre se aprofunda mais e mais a partir do momento em que o texto redunda e cria aquela sensação e perfeição formal.

Alguns detalhes memoriais, história de fato, devem ser observados quando se analisa um livro como esse. Trata-se de um seguimento do livro anterior, Rio Vermelho. Rio Vermelho é uma declaração amorosa sucinta e clara ao rio de mesmo nome, relíquia do estado de Goiás.

Esse volume assim citado, demonstra que a poesia e os visuais envolvem por demais a possibilidade de um rio assim ser descartado da face da terra.

Mesmo deve ser sabido também da preocupação – quase medo – do autor em revelar que o progresso do país está sendo um risco enorme para essas águas – que chama de seres, como se vida viva e sanguínea tivessem -, de tal sorte que há uma recorrência superabundante diante desse tema que de fato é vital.

Estamos a falar de águas e nada mais louvável do que esse tipo de sentimento que move de lado a lado a experiência de um homem que cria Literatura da mais pura qualidade. Sendo assim, deve-se também olhar ainda mais atrás. O livro de poesia e visuais anterior ao Rio Vermelho é Vitória-Régia.

Esse volume busca exatamente esse confronto, esse corpo a corpo repetitivo entre as águas e o desafio permanente da conservação. E traz na flor, na planta inigualável, a grandeza desse mundo que pode se repetir sempre, desde quer seja mantido o cuidado com as espécies.

Se fossemos falar de todos os rios que circulam nas avenidas desse autor prodigioso, o espaço que nos foi legado seria pequeno demais. Seria insuficiente. Entretanto, há alguns detalhes que devem ser levados em consideração porque eles são importantes demais na avaliação dessa obra magistral.

Em primeiro plano deve ser citado O Livro das Águas, livro de estreia de Henriques, publicado no ano de 1994. Então, ase verificar sem esforço, que as águas já estão a inundar tal obra desse os seus primórdios.

O livro tem esse nome porque percorre alguns rios, riachos e córregos que parecem ser de muita intimidade do escritor.

Porém, esse compêndio é mais abrangente porque enfrenta um desafio mais sagaz, aquele de trazer uma poesia mais introspectiva e que fugisse da marca indelével que Carlos Drummond de Andrade, cuja influência desenhou sulcos profundos na alma dos poetas das últimas décadas.

Conforme pode ser constatado por aí. Em segundo lugar, temos que falar do livro Araguaia, um tremendo petardo que trata a Literatura com aprimorada capacidade de elaboração. Araguaia diz na capa que é um ensaio.

Contudo, foge bastante do esquema acadêmico do ensaio, assim como ele é visto de maneira clássica. Guido Bilharinho, eminente crítico de arte, um dos mais competentes e cristalinos do mundo, diz que se trata de um ensaio literário.

Livro escrito sob a forma de prosa, em momento algum poderia ser taxado de linear, traz o rio Araguaia como um maravilhoso ecossistema e fluxo de perfeições. O rio não deixa de ser rio em momento algum. E isso não pode ser romance e nem poesia, pelo menos do modo como concebemos tais conceitos.

Finalmente, deve ser lembrado o romance Crixás. A personagem maior desse livro é uma fêmea de boto cinzento. Henriques diz que é a bota. Mas é o rio Crixás o outro personagem que en

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