Sobre o livro
Sinopse
Interior do Brasil, 1967. Santana da Solidão é um povoado invisível, alheio aos acontecimentos do resto do mundo, onde o tempo pouco faz questão de passar. Nesse lugar, o rio é um deus e exige seus sacrifícios: não a toa se chama Rio das Almas.
Mas quando uma moça é encontrada morta nas águas, devolvida pelo rio, ele seca, exigindo não sacrifício, mas justiça. Narrado pelas moiras, ou fiandeiras, Bordado em Ponto Corrente traz no título a referência de um movimento de costura e é um livro marcado por águas, flores e violência.
Mas também por amor.
Trecho do Prefácio, por Thaís Campolina
Rute Ferreira constrói uma história narrada por Moiras, figuras mitológicas responsáveis por produzir, tecer e romper o fio da vida. Como boas bordadeiras que são, elas conhecem as linhas e seus embaraços como ninguém.
E a partir dessa visão privilegiada da trama, contam essa história regida pelos mandos e desmandos do destino. Rio das Almas exige sacrifícios para se manter em curso, mas ao receber uma vida rompida fora de suas normas, se revolta e seca, expondo anos de corpos mortos enterrados sob suas águas.
Com um leito de rio seco, Santana da Solidão é obrigada a lidar com sua podridão e sua aversão ao amor.
Bordado em ponto corrente é uma obra que bebe no melhor do realismo mágico, enquanto critica a naturalização da violência contra a mulher, a hipocrisia da sociedade e a dor de traumas que ultrapassam gerações.
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