Sobre o livro
O título que dá nome a este livro, ironicamente, fica numa das regiões mais belas do litoral de Portugal. É em Cascais, cercada de finos restaurantes e dominada pelo espetáculo das imensas falésias e dunas de onde se contempla o infinito do mar.
Neste local me inspirei para escrever Boca do Inferno, histórias fragmentadas de Salazar e Getúlio Vargas, dois tiranos que reinaram cada um a seu tempo, mas semelhantes nos métodos truculentos de governar.
Ambos impuseram ao seu povo o terror político, protegidos por um sistema de comunicação oficial que tinha como objetivo enaltecer os feitos desses regimes por décadas. Vivo hoje entre Brasil e Portugal.
Nas minhas pedaladas habituais pelo litoral de Cascais, onde moro, intrigou-me a solidão de uma mulher idosa, elegante, cabelos brancos esvoaçantes, invariavelmente sentada aos finais de tarde num banco de madeira, com olhar sempre fixo a contemplar o Atlântico, que banha o litoral português.
Imaginei, então, que nas reflexões diárias aquela senhora recordava um tempo que a velhice não apagou. A esta senhora solitária dei-lhe o nome de Railda, uma vedete brasileira, que na vida real seria Virgínia Lane, supostamente amante de Getúlio Vargas.
E vendo-a diariamente – às vezes na companhia de uma cuidadora – tive a ideia deste livro, uma mistura de ficção e realidade.
A parte ficcional borbulhou meses na cabeça acelerada deste autor; os fatos reais são frutos de pesquisas que revelam a vida devassa de ex-ditadores sanguinários no mundo, principalmente destes dois déspotas, personagens tão emblemáticos da história da humanidade: Vargas e Salazar, sobre os quais abordo aqui.
Nas pesquisas, descubro como a religião católica afetou Portugal, deixou seu povo anestesiado pela fé e refém da Igreja por mais de quatro décadas, sentenciando o país ao atraso por longos anos.
Até a sua integração à Comunidade Econômica Europeia, Portugal esteve às margens da prosperidade na Europa Ocidental por décadas. O país foi subjugado por uma ditadura duradoura e virou refém da fé católica. Revelo também a podridão na cabeça de outros ditadores.
Todos – sejam de esquerda ou de direita – foram afetados por traumas sexuais de infância que os tornaram pervertidos, cruéis e genocidas no poder, a exemplo de Hitler, Mussolini, Stálin e Perón, como comprovam estudiosos das ciências humanas.
O que você vai ler aqui, leitor/leitora, é um trabalho exaustivo que mostra com fatos a degenerescência dos ditadores do Brasil e de Portugal.
Há evidências, por exemplo, de que Oliveira Salazar era pedófilo e, comprovadamente, viciado em ópio, droga fornecida por Adolf Hitler, que também abastecia Mussolini, o fascista italiano. Getúlio, em comparação aos dois, era um senhor bem comportado acima de qualquer suspeita.
Os registros históricos o apontam apenas como um adúltero, menos afeito à perversão do que os seus congêneres no mundo. Mas Vargas e Salazar, porém, tinham em comum o gosto pela tortura, pelo abuso e o desrespeito aos direitos humanos.
Impuseram, ambos, aos seus adversários métodos cruéis de tortura como forma de silenciá-los politicamente. Assim foi mais fácil manter o povo submisso, dominado e humilhado para reinarem soberanos por décadas.
Arrepie-se, leitor/leitora com a vida promíscua desses déspotas, história até então desconhecida dos seus súditos por anos de censura, que eu conto aqui depois de montar o quebra-cabeça da vida devassa dos dois tiranos, o português e o brasileiro. Boa leitura.
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