Blanchot mediador de Mallarmé: uma leitura de Igitur

Por Loecy Rosa Damasio

Sobre o livro

Stéphane Mallarmé, poeta francês do séculos XIX, sondou a palavra poética, empenhando-se a fundo numa reflexão que rompeu com filosofias tradicionais e resultou numa estética revolucionária e influenciadora de artistas, teóricos e pensadores da época.

Mallarmé, embora adepto das ciências ocultas disseminadas no círculo da elite sua contemporânea, adaptou-as ao seu “imaginário”, não de modo a deformá-las, mas de permitir um casamento entre suas concepções artísticas e místicas.

Igitur ou a Loucura de Elbehnon, um texto inacabado, prenúncio do poema Un Coup de Dés Jamais N’abolira le Hasard (Um lance de dados jamais abolirá o acaso), manifesta-se como instante essencial em que a experiência radical do autor com a literatura transita de “uma obra realizada” para “uma obra enquanto origem eterna de si mesma”, refém de seu inacabamento, e permanece como registro do que pretendia ser o seu Le Livre (“Livro Absoluto”).

Além disso, encontram-se em sua tessitura, elementos em diálogo com a ciência cabalística.

O legado do poeta francês, considerado, pelos historiadores e críticos literários, “o mais radical dos simbolistas”, em especial, Igitur ou a Loucura de Elbehnon, é aqui analisado através do escopo teórico de Maurice Blanchot, um dos mais importantes críticos da literatura moderna.

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