Bicho geográfico

Por Bernardo Brayner

Sobre o livro

Vasta e sutil catedral de orfandades, a elegia que nos propõe este livro é ao mesmo tempo física e espiritual. Recorrentes, as lembranças se impõem como motivos musicais e, no seu encantamento de ritornelo, trazem de volta cenários de um tempo perdido.

Numa miríade de situações, o eu de várias idades se reencontra consigo numa arena em que as recordações traem o contador de si e, nisto, o levam de volta a uma dimensão de amplas possibilidades. É neste exercício de bicho geográfico que a memória alcança exorcizar a solidão.

Mas este não é um livro assombrado pelas lembranças. É sobretudo um livro de amuletos. Aqui, recordar é uma operação tátil. Imagina-se, de longe, a candura e a calidez do contato perdido, inclusive o contato com os admiráveis modelos do mundo pregresso.

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