Sobre o livro
Talvez não seja possível comparar Bernardo, esse punhado de contradições e críticas, nem a Tyler Durden, de Clube da Luta (1999) nem a Travis Bickle, de Taxi Driver (1976), isso porque cada homem tem seus próprios ossos e os personagens, seus enredos. Mas algo que, com certeza, os une é o ego, a confusão, a inconformidade e as paranoias.
Bernardo é esmagado entre o brilho da moeda e a cédula rasgada, que sustentam a sociedade brasileira de sua época. Sendo um atendente de uma loja de fast food, o personagem se depara com a desgraça tripla, ou uma espécie de “Baal mercantilista” com suas três cabeças que destacam os clientes malditos, os falsários colegas de trabalho e o homem com a coroa, ligeiramente representado pelos patrões que dificilmente eram vistos.
Tudo isso acontece em meio a um governo que desapontou o povo brasileiro, sendo mais do mesmo e se aliando aos antigos inimigos; à guerra na Ucrânia, que foi invadida por Putin, à fragmentada economia pós-pandemia; aos conflitos comerciais de EUA e China, as eleições brasileiras e ao viver ressequido e cotidiano que precisa ser enfrentado quase como uma guerra.
Pornografia, álcool, calmantes, política, mulheres e até o evangelho, são pautas que Bernardo destrincha e se envereda (ou se desvia).
Neste livro, o autor apresenta um pouco das suas ideias e sentimentos conturbados na juventude. Como, por exemplo, o abandono da fé (sua apostasia), a imersão em vícios da vida humana (alcoolismo e tabagismo), e o ceticismo que abunda estes escritos manchados por inglória. O amor sofre severas críticas, o romantismo passa a ser envilecido e a crença, a felicidade e a luz, são devorados por uma escuridão abissal.
Bernardo, como é chamado o alter ego do autor, tem uma série de dificuldades ao se mudar para uma grande cidade de Goiás.
Nesse lugar o personagem vê a podridão humana escancarada, tem os seus desejos sexuais reprimidos pela fé expostos, encontra amparo nos vícios e tem uma severa crise de identidade. A narrativa se passa no ano de 2021, no governo Bolsonaro, até o fim do ano de 2022.
Onde Bernardo também vê, nas eleições presidenciais, a desgraça do o petismo e a idolatria a Bolsonaro (de quem fora apoiador) estraçalhar o Brasil. A guerra na Ucrânia, o primeiro amor e os terríveis impostos sobre o brasileiro também são apresentados no livro, com uma visão particular dele.
Passando por subempregos, não dormindo e nem comendo direito, com problemas familiares, Bernardo se sente fraco como um coração, pelo menos um que está parando de bater.
393 pág.
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