Banzeiros

Por Humberto Mendes de Oliveira

Sobre o livro

Semelhante à ponta de uma flecha, a proa do batelão corta o espelho d’água, e o banzeiro se manifesta em ondas que se afastam tremulantes, misturando-se, criando rebojos e modificando o panorama inicial. Algumas logo desaparecem.

Outras só se extinguem ao chegar às margens do rio, depois de revolver o que ali estiver. Passada a agitação, embora aparentemente a superfície retorne ao que era antes, as margens nunca mais serão as mesmas. Assim também é a vida.

Muitos banzeiros por ela passam e as ondas dos acontecimentos agitam o cotidiano, criando e destruindo esperanças, modificando gradativamente os sonhos, e alterando, com maior ou menor intensidade, as relações entre as pessoas.

Mesmo que a turbulência seja passageira e a calmaria volte a predominar, sempre deixará marcas indeléveis. E as recordações dificilmente impedirão que os sentimentos permaneçam imutáveis. Um panorama diferente, mesmo que subjetivo, se tornará preponderante pelo resto da vida.

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