Sobre o livro
“Astronauta sem luar”, que reúne alguns dos trabalhos publicados pelo autor no jornal A União, de João Pessoa-PB, é sobretudo um bom exemplo da variedade com que a crônica pode ser exercida.
Alternando confissão pessoal e comentário sobre o cotidiano, reflexão e humor, Chico Viana se utiliza com mestria da liberdade que o gênero concede. Para isso, vale-se de um estilo ágil e, sobretudo, de um enorme senso do timing necessário ao efeito sobre o leitor.
Dividindo o livro em quatro subtítulos, que se repetem alternadamente – Lá fora, o vento; No varejo do tempo; Rataplã e Ao redor de mim – o autor parece chamar a atenção para a multiplicidade de planos em que se move o cronista.
Cada um deles fornece material específico à criação, que se efetiva integrando a vivência particular, do cidadão/criador, aos desconcerta; do mundo.
Toca-o o mais distante e o mais próximo: do terrorista que ameaça explodir com o avião, ao aniversário da filha; do povo acampado na praça, à nostalgia de envelhecer mais um ano.
O universo do cronista não é o da Ficção nem o da História; é o espaço menor do dia a dia, recorte num tempo variado e miúdo que parece mesmo se oferecer no varejo.
Justamente por isso, no entanto, instaura-se um tipo especial de desafio: o de tornar essa matéria interessante; o de criar humor, ou beleza, a partir desse miúdo corriqueiro.
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