Sobre o livro
No dizer de Umberto Eco, “as relações entre leitor-texto, escritor-texto estabelecem-se como num jogo, cujas regras modificam-se através dos pactos firmados entre os participantes.” As proibidas, de Valdemir Mourão, é narrativa para além das linhas e das páginas.
Mas tudo começa com um apelo do próprio livro, é o texto mesmo, como entidade, quem vem falar ao leitor: “Não me chamem de romance/nem de novela, conto, crônica ou poesia…/Não me aleijem a forma/porque detesto tudo que é pré-fabricado.” Nessa Autoapresentação, em forma de poema, diz a que veio e institui logo: “Sou ideias, a forma não me interessa!” (…) Uma misteriosa Ana C.
A. assina uma súplica inicial. E de repente um tom mais ameno domina a narrativa que não se propõe a ser, mas sabe que é não sendo. Um narrador intermitente, que julga e se compadece e aponta erros e justifica perdões permeia tudo, feito um deus onipresente, um deus-intruso.
E se confunde com as falas das mulheres, as principais, verdadeiras heroínas dessa fabulação polifônica, intrincada, intrigante e, principalmente, instigante.
Carlos Vazconcelos, escritor e professor
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