Sobre o livro
Na família Sadovita, nascer com olhos azuis é estar condenado à tristeza. Lúcia carrega esse fado como uma tatuagem invisível — cresce entre o silêncio do pai, a fragilidade da mãe e uma infância onde “a tristeza pairava como uma sombra que não se consegue esconder”. Ao se mudar para a cidade, tenta reinventar-se: percorre os corredores da universidade, se refugia nos livros, mas é nas noites do Casarão que descobre outros mundos possíveis.
Ao dar à luz um filho que também carrega olhos azuis, Lúcia compreende que sua luta é contra o que não se vê — uma tristeza antiga, herdada.
E é aí que o livro se expande: mais do que contar uma história, As mortes de quem Vive explora o que há de inescapável nas famílias, nos afetos e nos destinos que tentamos desviar.
Um romance sobre o que permanece, mesmo quando tudo parece ter ido embora, que se desenrola entre o lírico e o brutal, conduzido por uma linguagem sensível e profundamente imagética.
Com uma escrita marcada pela musicalidade e por frases que oscilam entre a poesia e o concreto, Thiago Tourinho constrói uma narrativa sobre o peso das heranças familiares e o desejo de quebrar ciclos silenciosos.
Tourinho alterna cenas de lirismo com passagens de um realismo delicado, por vezes seco, revelando personagens profundamente humanos, marcados por pequenos gestos, silêncios e repetições. Lúcia experimenta o amor como encontro e distância, um gesto que ora acolhe, ora escapa.
A maternidade lhe surge como revelação e vertigem — promessa de sentido e risco de apagamento. Já a rotina se impõe como forma de proteção, mas também como torpor, uma anestesia lenta que silencia os próprios desejos.
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