Sobre o livro
Há feridas que não doem mais — ou pelo menos é isso que a gente diz a si mesmo até que alguma coisa, pequena e precisa, volte a tocar o lugar exato.
Beatriz construiu uma vida funcional em Santa Felicidade, Curitiba. Mãe, filha, mulher confiável, dessas que sustentam a casa, o trabalho e a rotina sem fazer alarde. Durante anos, chamou isso de paz.
Então chega uma mensagem de Buenos Aires.
Curta. Contida. Vinda de Roberto — o homem que ficou no passado, no casamento desfeito, nas perguntas que ela aprendeu a não fazer. Ele encontrou um caderno antigo. E quer devolvê-lo.
A viagem que deveria ser breve se torna um confronto com tudo o que permaneceu quieto por tempo demais: a memória, a culpa, a fé, o amor que existiu, o perdão que ainda precisava de verdade e a vida que Beatriz construiu em volta do que pensava ter superado.
Entre cafés antigos, ruas densas, igrejas, cemitérios, jardins e noites portenhas, As Coisas que Deixamos em Buenos Aires é um romance contemporâneo sobre aquilo que não volta — e, ainda assim, precisa ser relido com honestidade.
Sem prometer reconciliações fáceis, este é um livro sobre feridas anestesiadas, utilidade como identidade, graça sem fantasia e a coragem de finalmente chamar certas dores pelo nome certo.
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