Sobre o livro
Em Mateus 5:1-2, somos informados que, no Sermão do Monte, no qual as bem-aventuranças estão inseridas, Cristo estava ensinando os seus discípulos. A partir de Mateus 7:28-29, fica claro que ele também se dirigia a uma grande multidão do povo. Assim, é evidente que este discurso do nosso Senhor contém instruções tanto para crentes quanto para incrédulos.
É preciso ter em mente que esse sermão ocorreu na primeira vez que Cristo se dirigiu ao público em geral, o qual fora criado em um judaísmo defeituoso e que, possivelmente, esse também foi o seu primeiro discurso aos discípulos.
O seu propósito não era apenas ensinar ética cristã, mas expor os erros do farisaísmo e despertar as consciências dos seus ouvintes legalistas. Em Mateus 5:20 ele disse: “Porque eu afirmo que, se a justiça de vocês não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrarão no Reino dos Céus”.
Depois, até ao final do capítulo, ele expôs a espiritualidade da lei de modo a despertar os seus ouvintes para verem a necessidade que tinham da justiça perfeita de Cristo.
A ignorância deles acerca da espiritualidade da lei que era a verdadeira fonte do farisaísmo, pois os seus líderes afirmavam cumprir a lei, no que diz respeito à sua letra exterior. Era, portanto, o bom propósito do nosso Senhor despertar as suas consciências através da imposição da verdadeira importância e demanda interior da lei.
Estamos plenamente seguros de que esse sermão anuncia princípios espirituais para todas as épocas e prosseguiremos com base nisso.
A primeira pregação de Cristo parece ter sido resumida em uma frase curta, porém crucial, como a de João Batista antes dele: “Arrependam-se, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mateus 3:2; 4:17).
Não é apropriado, em um breve estudo como este, discutir aquele tema interessantíssimo, o Reino dos Céus — o que ele é e quais são os vários períodos do seu desenvolvimento — mas essas bem-aventuranças nos ensinam muito sobre aqueles que pertencem a esse Reino, sobre os quais Cristo pronunciou as suas mais elevadas formas de bênção.
Cristo veio uma vez em carne e osso, e virá novamente. Cada advento tem um objeto especial vinculado ao Reino dos Céus. O primeiro advento do nosso Senhor ocorreu com o propósito de estabelecer um império entre os homens e sobre os homens, lançando as fundações desse império dentro das almas dos indivíduos.
A sua segunda vinda será com o propósito de estabelecer esse império em glória. Portanto, é de importância vital que compreendamos qual é o caráter dos súditos nesse Reino, para que possamos saber se nós próprios pertencemos ele e se os seus privilégios, garantias e recompensas futuras fazem parte da nossa herança presente e futura. Assim, podemos compreender a importância de um estudo devoto e cuidadoso dessas bem-aventuranças.
Devemos examiná-las como um todo; não podemos considerar uma delas separadamente sem que, com isso, percamos uma parte da lição que elas ensinam em conjunto. Essas bem-aventuranças formam um todo.
Quando um artista desenha um retrato, cada linha pode ser graciosa e magistral, mas é a união das linhas que revela a sua relação mútua; é a combinação das várias delineações artísticas e toques minuciosos que nos dá o retrato completo.
Assim ocorre aqui, embora cada aspecto distinto tenha a sua beleza e sua graça peculiares bem como demonstre a mão de um mestre, é apenas quando consideramos todas as linhas juntamente que obtemos o retrato completo de um verdadeiro cidadão do Reino de Deus (Dr. A.T. Pierson, parafraseado).
— A. W. Pink
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