Sobre o livro
A obra ficcional Almas Negras vol 1 de 2020, é baseada em fatos reais e estórias familiares de antepassados italianos cujos destinos foram fortemente impactados por atitudes cruéis de Francesco, trisavô do autor, um homem cuja obsessão era ter um filho homem.
Francesco havia matado pessoas e animais somente pelo prazer de apagar o brilho dos olhos de qualquer ser vivo. Naquelas paragens perdidas do sul italiano, em Satriano, cidade na região da Calábria, a justiça não tinha chegado.
Um dia, em 1875, após uma breve brincadeira, por sentir ofendido, ele impulsivamente matou, esquartejou os próprios pais, dando aos porcos os restos mortais de ambos – Verônica e Giuseppe Luchetti, pessoas queridas em toda a cidade, cuja união deu vida a 12 filhos, sendo 11 deles muito bondosos.
Seus pais morreram cruelmente apenas porque Giuseppe comentara que Francesco poderia ter dado ao menos um neto no lugar das oito netas, pois um menino seria mais útil no sítio de oliveiras da família do que um bando de meninas. Falou rindo, sem maldade alguma.
Dona Verônica também foi esfaqueada porque riu às gargalhadas da brincadeira do marido. Antonela, então com seus 35 anos, desde os 13 se tornou esposa de Francesco a partir de um estrupo. Estando sob o total domínio do marido, 30 anos mais velho, ela sempre se submeteu às sua ordens.
Francesco juntou-se à Elvira – conhecida feiticeira da região – para forçar a esposa a ter mais uma gestação, pois as oito anteriores foram de meninas, as quais, infelizmente, serviam para desfrute sexual e perversidades do próprio pai desde que tinham nove anos de idade.
Era como um batismo de missa negra: quando as filhas de Francesco completavam nove anos, ele as estuprava. Acreditava que o “9” era o número maligno e não o “6”, que o Demônio colocava tudo de cabeça para baixo. Em 13 de junho de 1876, nasceu Theófilo Luchetti, bisavô do autor.
Foi o nono e último filho, o que trouxe a ruína e provocou o fim de seu tempo nessa terra; mas, Francesco não sabia disso.
A ruína de Francesco foi total e afetou profundamente sua saúde física e mental a um ponto de ele não querer mais comer nem beber, não se lavar ou barbear; enfim, ele se tornou um trapo irreconhecível de ser humano.
Assim, aproveitando um momento em que Francesco estava em total inanição, Antonela pegou seu diário, alguma comida e quase nenhuma roupa para ela, somente para o bebê. E, sem hesitar, ela fugiu com Theodoro para o norte da Itália a fim de morar com uns parentes em Veneza.
Tempos depois, já adulto, Theófilo conseguia sustentar a si e sua mãe com certa folga. Porém, ele era um sonhador, queria muito mais da vida. Passou, então, a planejar imigrar para a América do Sul, decidindo partir para o Brasil.
Mesmo com Antonela implorando para ele não ir, Theodoro embarcou em um navio que atracaria na cidade de Santos em 17 de novembro de 1906. Numa estação de trem, ele conheceu uma solteirona vinda de Veneza, brava e teimosa como ele, chamada Verônica Guarna – futura bisavó do autor.
Nesta nova obra – Almas Negras vol 2–, é possível entender melhor os acontecimentos e quem foram as pessoas impactadas tanto pela bondade divina quanto pela influência demoníaca ao longo desses anos simplesmente por terem convivido com os descendentes de Francesco ou pelo contato com aquela casa amaldiçoada.
A leitura, algumas vezes, causará profunda revolta, tristeza e perplexidade; outras, uma sensação de justiça e de que Deus existe. Com certeza, este segundo livro não somente irá despertar muitas reflexões como também revelar detalhes significativos da vida dos que sofreram por causa daquele pacto.
A maldade contida em tantos relatos é a herança de sangue deixada por Francesco Luchetti.
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