Sobre o livro
A Palavra de Deus ensina claramente que, nesta dispensação, assim como nas anteriores, Deus exige um arrependimento profundo e sincero antes de perdoar qualquer pecador. O arrependimento é absolutamente necessário para a salvação, tão necessário quanto a fé no Senhor Jesus Cristo.
Como lemos nas seguintes passagens das Escrituras: “se, porém, não se arrependerem, todos vocês também perecerão” (Lucas 13:3). “Então também aos gentios Deus concedeu o arrependimento para a vida!” (Atos 11:18).
“Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar” (2 Coríntios 7:10).
Não é possível formular uma linguagem mais explícita do que essa. Portanto, diante desses versículos e outros ainda a serem citados, não podemos deixar de considerar com tristeza aqueles que afirmam agora que, nesta dispensação, o arrependimento não é essencial para a salvação, como sendo enganadores de almas e cegos guiando outros cegos.
Alguns dos pregadores mais proeminentes que se autodenominam “ensinadores da verdade dispensacional” insistem que o arrependimento pertence a um período passado, sendo totalmente “judaico”, e negam totalmente que, nesta era, Deus exige o arrependimento do pecador antes que ele possa ser salvo, rejeitando claramente o que é dito em Atos 17:30: “mas agora ele ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam”.
Outros, ao se afastarem da salvação através das boas obras, deixaram de preservar devidamente o equilíbrio da verdade e de dar o devido lugar a passagens como Provérbios 28:13: “Quem encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e abandona alcançará misericórdia” e Isaías 55:7: “Que o ímpio abandone o seu mau caminho, e o homem mau, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele”.
Não é que haja algo meritório na conformidade do pecador com essa justa exigência de Deus, mas sim que as reivindicações do Santo devem ser apresentadas àqueles que transgrediram contra ele.
No entanto, isso é exatamente o que menos o rebelde orgulhoso deseja ouvir e a triste realidade é que muitos estão agora, consciente ou inconscientemente, deixando de falar o que é desagradável aos homens, mas que honra a Deus.
O quão generalizado é esse silêncio que pode ser rapidamente descoberto por meio de um exame de folhetos atuais que pretendem explicar como um pecador pode ser salvo. Na maioria deles, nem uma palavra é dita sobre o arrependimento.
Mesmo quando se sustenta que o arrependimento é necessário antes que um pecador possa ser salvo, muitas vezes são apresentadas visões superficiais e rasas do que o arrependimento realmente é.
Em muitos lugares, assume-se que se uma pessoa derrama lágrimas ou parece estar quebrantada por causa de comportamentos ímpios que adotou, isso é uma prova clara de que uma obra salvífica da graça divina foi iniciada no coração dessa pessoa. Mas isso de maneira nenhuma corresponde à realidade.
As maiores agonias de uma consciência inquieta não são iguais à convicção de pecado que é produzida pelo Espírito Santo. Esaú chorou amargamente, mas não foi regenerado. Félix tremeu diante da pregação de Paulo, mas não há indício nas Escrituras de que ele tenha ido para o céu. Multidões são enganadas nesse ponto e há pouquíssimo na pregação atual que seja capaz de tirá-las desse engano.
Cada um de nós que valoriza sua alma e se preocupa com seu destino eterno fará bem em examinar cuidadosamente seu arrependimento à luz das Escrituras e verificar se ele é de origem humana ou de origem divina, se é natural ou se é sobrenatural.
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