Sobre o livro
Agrada-me fazer a apreciação deste Arquivo Morto, de Pérola Gandra, composto extraordinariamente de quase 50 Sonetos, incluindo neles o belo poema inicial de Entrega da Chave ao leitor.
Esta apreciação não tem aquela conotação que precede à crítica, dentro do conceito de que “…crítica será um juízo da apreciação de valor sobre uma obra dentro do campo literário e vendo a sua forma, fundo e finalidade estética…” (cf. Delson Gonçalves Ferreira em Língua e Literatura Luso-Brasileira).
Nos Sonetos de Pérola Soares Gandra, não procurei neles, a precisão dos pés que formam os versos; não indaguei se se posicionavam em jambo, simétricos do troqueu, se anapesto simétrico do dáctilo e correspondentes ao espondeu ou se neles via-se um coriambo latino; não perquiri se obedeciam eles às exigências de que, quanto à forma, os seus Sonetos, todos seriam decassílabos e se tinham eles os acentos, ditos obrigatórios, nos 6º e 10º, ou se nos 4º, 8º e 10º sons poéticos; não olhei, criticamente, se as rimas seriam ricas ou pobres; não!
Não, não indaguei nada disso.
Seus Sonetos, li-os todos, várias vezes, degustando deles a sua essência, o seu sabor, que me sabiam, muita vez, amargos e doídos, acres e sofridos; outras vezes, e muitas, plácidos e serenos, místicos e doces, como em “Menina-Moça”, “Adolescência” ou “Sorride” e “Mater Dulce”, entre outros. Aliás, a autora diz bem de tudo isto já na sua advertência “Ao Leitor”.
Peço emprestado a Adolfo Casais Monteiro a seguinte reflexão que ele faz sobre os seus estudos quanto às poesias de Fernando Pessoa, que condiz, plenamente, com a minha, neste momento.
“É um grave erro esperar da poesia que nos indique caminhos para qualquer parte, que nos de a solução do problema, etc.
Além do essencial, que é ser bela por si mesma, o enriquecimento que nos pode vir da poesia será antes o de nos ajudar a ser quem somos, isto é, ajudar-nos a ver melhor para dentro de nós próprios, graças à luz que da poesia como que se reflete para nossas profundezas.
Mas ser bela por si mesma, é o que realmente, e sobretudo lhe devemos pedir”.
Os escritos todos da poetisa possuem o Belo por Essência e nos ajudam a nos vermos a nós mesmos com nossas fragilidades humanas, nossos alados anseios e nossas virtudes procuradas. O nome Pérola, por si só, lustra, recomenda, atrai e garante a excelência da obra.
Célio Hugo Alves Pereira
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Ao leitor
Entra. Aí está a chave. Não tenhas medo. Antes, porém, apronta-te! Estás diante de um Arquivo Morto. Cuidado! Ao entrares, prepara-te para encontrar doces fantasmas. Páginas esmaecidas de um passado longínquo saltarão à tua frente… realidades talhadas de canto e dor, de alegria e amor.
São velhos guardados. Penetra neles. E se, por acaso, sentires que um dia quiseste tu também cantar estas mesmas rimas, falar nestes mesmos versos, não te assustes. Esta é a linguagem do coração e é somente através dela que penetramos no mundo sem fim de nossas emoções.
A autora
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