Arbitrário como a Maior

Por Matilde Souza Rodrigues

Sobre o livro

Está bem! exclamou suspirando. Não insisto. Rogo-te que esqueças o modo que tenho tido de te demonstrar meu amor. Tenho perdido o domínio de mim mesmo. Não é isto excusable depois de ter tido tanto medo de te perder? Tu eras o que eu desejava mais no planeta e o que menos esperava conseguir.

Quanto temor, quanta incerteza! Mas, neste momento, o primeiro de outubro! Prometo-te não voltar a se divertir mais, nem a beber, nem a construir camorra, nem a importunar a pai com demandas de dinheiro.

Não me agrada como administra o rancho, mas aceitarei suas advertências e respeitarei suas ordens enquanto viva. Suportarei inclusive que esse apanho que muitas fitas-cola me inspira, viva a poucos quilómetros de aqui. Farei tudo, suportarei todo o que tu desejes e me mandes.

Nesse caso, vai-te já ordenou Margarita.

Jaime obedeceu e, quando ficou sozinha, a rapariga se encerrou por dentro e se jogou na cama derrotada pelo excesso de emoções. Chorou como uma criatura que vê o objectivo de sua felicidade, e, uma vez passada o pesar dos sollozos, um pouco desafogada já, tentou pensar sobre o que passou.

Constantemente, com férrea insistencia, repassou em sua cabeça a petição do velho Guillermo, os mandatos imperiosos de sua gratidão e seu dever para com ele, a determinação que ela tomou, sua promessa e a repulsión e o desgosto que lhe inspirava Jaime.

Todo o mencionado tinha-a desolada, amedrentada, a ela, tão brava e inteira, que tinha tido o valor de confessar ao ranchero o que nem a si mesma se tinha atrevido a se confessar.

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