Sobre o livro
A verdade é que sou um mentiroso. Um trapaceiro da pior espécie. Eu vou te enganar, isso é fato. Tudo isso começou por causa de uma mentira. Uma tentativa de levar uma garota para cama, ou para conseguir um grande amor, já nem sei mais qual a diferença.
Mas enfatizo que sou um mentiroso porque é isso que faço. Prometo coisas que não vou cumprir. Passo a imagem de um cara legal, honesto e confiável. Porém, irei te trair na primeira oportunidade. Irei te sacanear feio, e farei isso de uma forma tão boa que, no final, ainda acreditará em mim.
Não é maldade, é só que faço. É o que sempre fiz. Assim que tiver oportunidade irei para cama com sua prima, sua irmã, sua mulher amiga. E esta é minha confissão. A história que deu origem a todas as histórias começou dessa forma. Como uma confissão.
Um relato que sempre beira a verdade ou a mentira, igual o trecho acima. Tudo que vão ver daqui em diante pode ser ficcional ou não. Não é meu trabalho revelar a verdade, não sou a porra de um jornalista. E também não vou ficar criando dramas e romances. Não sou um escritor. Só finjo que sou.
Tudo começou num dia como qualquer outro. Eu desesperado querendo sexo. Essa sempre foi minha paixão, meu vício. Acho que não tive muito como adolescente. A psicologia ocidental moderna pode me definir como alguém que tenta compensar uma deficiência afetiva com desejos libidinosos.
Palavras grandes para soar importante. De fato, devo querer compensar algo. E não é sobre o tamanho de meu pênis. Eu era um moleque gordinho quando novo, e mesmo depois de emagrecer demorei algum tempo para recuperar a confiança.
Talvez se tivesse transado o suficiente no segundo grau, eu seria uma pessoa diferente. Poderia culpar aquela menina da escola que não quis ser minha namorada. Mas, no final, a culpa ainda será minha. As que me quiseram eu não observei com atenção. Meus olhos são iguais a uma mariposa.
Sou atraído pela luz mais forte, e fico cego para o mundo ao meu redor. Mas, estou divagando. Tudo começa em uma noite que fui atraído por uma luz brilhante. Estava bebendo com amigos e a vi. Linda. Perfeita. Deslumbrante, enquanto desfilava pelo bar, de mesa em mesa, até encontrar a de seus amigos.
Eu a vi e não fiz nada. Terminei minha cerveja e fui para casa bater uma. Simples assim. Mas, em casa, fiquei preso a uma pergunta: Como convencer uma mulher daquelas a abrir as pernas? Mentir era a solução óbvia, mas não poderia ser qualquer mentira.
Não me leve à mal, eu não recuso, mas não sou chegado às transas de uma noite. Elas são boas, mas a transa de uma semana ou de um mês são melhores. Então eu não poderia mentir de forma que tivesse de sustentar uma história falsa por muito tempo. Dá muito trabalho e não tenho saco para isso.
Assim, analisei minhas opções. Primeiro o óbvio. Teria de mentir e a mentira tinha que ser boa. Segundo, precisava de uma mentira que me tornasse interessante. Terceiro, não havia muito capital de giro naquele momento. A conclusão, teria de criar uma mentira sobre mim. Não sobre o que sou.
Mas, sobre o que sei fazer. E foi assim que tudo começou.
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