Apocalipse Açaí: Um conto manifesto na COP30

Por Pedro Augusto Baía

Sobre o livro

Neste conto manifesto, o autor Pedro Augusto Baía (vencedor do Prêmio SESC de Literatura 2022 pelo livro “Corpos Benzidos em Metal Pesado”), apresenta uma narrativa com sátira, mistério e críticas sem pudor.

Às vésperas da COP30 na cidade de Belém do Pará, uma estátua de madeira em tamanho real surge dentro de um canal no meio da cidade. Historiadores identificam a estátua como sendo um exemplar da “Nossa Senhora do Grande Rio”, fabricada por indígenas no século XVIII.

A investigadora Eneida é chamada para solucionar o caso e descobre uma alegoria bizarra: dentro da estátua há o corpo mumificado de uma mulher indígena condenada pelo Tribunal do Santo Ofício em Belém do Grão-Pará, no ano de 1765.

Outras estátuas começam a surgir em diversos pontos da cidade, trazendo à tona os fantasmas da colonização, a contaminação dos rios por metais pesados, e a força dos saberes ancestrais em torno da árvore do açaí. .

Leia um trecho:

“Você desperta com a impressão de ouvir os sons de outros tempos: o cortejo inquisitorial pelas ruelas de Belém do Grão-Pará, o choro de uma mulher no claustro mais escuro da capela de pedra, a fricção do dente de cutia e da lixa de pele de arraia nas mãos de um indígena entalhando a madeira e fazendo nascer uma estátua; outras mãos, à beira de rios, entrançam a palha das folhas da açaizeira para fazer a peconha”

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