Antropologia das sociedades contemporâneas – 2ª edição: Métodos

Por Bela Feldman-Bianco

Sobre o livro

Esta obra de Éttore Finazzi-Agrò convida o leitor a um voo panorâmico sobre as heranças históricas e culturais do Brasil. Mas o autor não tem como objetivo construir uma síntese cronológica da história da produção artística e cultural do país.

O que ele oferece, ao contrário, é uma visão composta de fragmentos dispersos no espaço-tempo. Finazzi-Agrò optou por esse caminho não por lhe faltarem elementos.

Para ele, simplesmente não é possível – e seria também inútil – fazer tal síntese cronológica: “Uma obra desse tipo correria, de fato, o risco (na verdade, incontornável) de ser arbitrária e ideologicamente orientada, de ser, em suma, apenas uma narrativa montada à vontade do autor.”Ele acredita que, na busca de escrever sua própria história, a cultura brasileira pode ter negado o passado, sacralizando-o em uma espécie de recalque simbólico, sem, contudo, ter esquecido que esse espaço oco pode ser um ‘tempo em palimpsesto’ – ou seja, em que os eventos se alternam.

Após analisar os modos possíveis de “fazer história” num contexto pós-colonial, ele estuda, por exemplo, o mito fundador de uma “ilha Brasil”, aborda temas vinculados à figura do índio na cultura brasileira e perpassa questões como pobreza, violência e marginalidade.

A obra, assim, constitui um inventário das origens plurais do que se entende por identidade brasileira. É um estudo das ordens infinitas que constituem a trama do real.

Ou na definição do próprio autor: “Um livro de afetos: afeto ou dedicação à cultura brasileira e aos seus expoentes, escritores ou críticos, literatos ou teóricos da literatura”.

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